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“A partir do próximo ano letivo vamos ter licenciaturas no Rovisco Pais, o que para nós é um passo gigantesco”

07 de agosto de 2026 às 11 h31
DB-Pedro Filipe Ramos

A realização de mais uma Expofacic foi o pretexto para uma longa entrevista à presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, que aborda alguma das mais relevantes e atuais áreas de intervenção do seu executivo. É o caso do PRR e os prazos cada vez mais apertados. Mas é também a questão das acessibilidades e dos transportes. E é, ainda, a ambição de ver o concelho de Cantanhede “abraçar” um projeto sólido e de futuro, com o arranque do ensino superior, no âmbito de um protocolo com a Universidade Politécnica de Coimbra

Este é um ano decisivo para a execução dos fundos do PRR, com os últimos pagamentos a estarem definidos até final de dezembro. Na área da habitação estes prazos condicionaram a vossa intervenção?
Condicionam, e isso naturalmente tem que ser dito, não sou só eu que digo. Toda a gente diz isso. A questão, às vezes da validação superior destes projetos, é muito limitativa em situações que nós gostaríamos que fossem muito mais céleres. Porquê? Há aqui várias vertentes. Nós podemos fazer aquisição de terrenos para construir. Nós podemos fazer aquisição, como fizemos com o IHRU, de prédios já construídos para transformar em arrendamento acessível, mas tínhamos e temos, no concelho, situações como edifícios que são, digamos, de propriedade do Estado, nomeadamente junto ao Rovisco Pais. Neste momento já temos a aprovação, também do Presidente da ULS de Coimbra, que era o bairro antigo onde não viviam os funcionários, que nós queremos reconverter em arrendamento acessível, mas toda a morosidade burocrática nas autorizações fez com que não andasse tão rápido quanto nós desejaríamos.
Não vamos desistir, vamos continuar a apostar, percebendo que poderá haver aqui, e naturalmente que vai ter que haver, uma componente do orçamento municipal adicional, porque os prazos são o que são, e nós vamos ter que ter esse mesmo complemento para ir ao encontro destas duas áreas de habitação, uma parte da habitação social e outra em termos do arrendamento acessível.

Há projetos, no concelho, que ficaram parados ou que não avançaram com a velocidade pretendida, por causa dos prazos ou da falta de candidatos nos concursos?
Não, essa parte não. A parte que mais me preocupa é mesmo a questão da habitação, se realmente pode haver aqui alguma limitação depois na execução. Uma limitação que pode penalizar o orçamento municipal, mais por aí, porque realmente não houve possibilidade de avançar de forma mais célere. Temos os dados mais do que visíveis, sobre todos os procedimentos que decorreram nesse mesmo sentido. Isso é que pode vir a acontecer.
Só para falar ainda dos projetos, porque é a parte empresarial, é a parte de toda a vida associativa, cultural, desportiva, mas há uma área fundamental para nós, que é a questão dos transportes. Como eu há pouco estava a dizer, Cantanhede fica numa zona privilegiada, estamos no litoral, na zona Centro, somos atravessados por três autoestradas, o que é muito favorável, mas temos tido aqui uma aposta, que cada vez queremos que seja maior, no transporte público. A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra fez um e está neste momento a ser implementado, já está no terreno, que é um concurso geral para todos os municípios, que melhorou substancialmente o transporte público de qualidade nos nossos territórios.

É o Sit Flexi – Transporte Flexível a Pedido?
Sim, através da empresa Busway. Foi um concurso internacional, tal eram os valores que estavam aqui envolvidos. Acho que melhorámos substancialmente, mas queremos mais, porque nós temos que acelerar aqui alguma proximidade de forma diferente também a Coimbra.
Acho que os territórios só se conseguem desenvolver se tiverem cada vez mais uma partilha de valores e a partilha é com o que, nos territórios limítrofes, também existe de bom e existe muito de bom. Sabemos que há estruturas, sobretudo a nível de Coimbra, não podemos deixar de pensar, evidentemente, que Coimbra tem os hospitais de todos nós, desde o IPO à Maternidade, que eu gostaria de ver a nova brevemente avançar, evidentemente, ao Hospital Central.
Estamos com a cobertura de 100% de médicos de família, o que para nós é extraordinário, mas essa proximidade a Coimbra, acho que é determinante e, por isso, ficámos muito satisfeitos com a decisão da Secretária de Estado da Mobilidade em definir para o Metro Mondego avançar com o projeto da expansão do Metro até Condeixa-a-Nova e depois até Cantanhede e Mealhada.
Acho que é extremamente importante para o nosso território. Não só faz proximidade de todas as pessoas que vêm trabalhar para cá ou que vão para lá, os estudantes que podem deixar de ficar lá e podem ir e vir de uma forma muito mais cómoda, ou as nossas zonas industriais também, em termos da rotatividade de pessoas. A questão do transporte é marcante e decisiva para o desenvolvimento do nosso território. O Presidente do Conselho de Administração do Metro já deu indicação para avançar com o procedimento, espero que avance.

Leia a entrevista completa na edição de hoje do DIÁRIO AS BEIRAS

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