Opinião – Eutanásia da História

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Norberto Canha

Norberto Canha

Fui, na passada semana, a Lisboa, à homenagem a um professor e cirurgião vascular. Fui com um amigo e esposa de automóvel; vim de comboio até à estação B, apresso-me meto-me noutro comboio, mas à hora certa, até à Estação A.

No trajecto olho para os dois lados e vem-me à memória o que era antes e o que é de momento.

Fábricas fechadas sem tijolos nas janelas e aspecto deplorável. Fiquei impressionado, que imagem para os turistas, que vergonha para todos nós, que vergonha para a cidade.

Hoje – 05-05-2016 – o céu tem o mesmo aspecto, céu encoberto, chuva miudinha que tinha no 25 de Abril de 1974, em que eu, que às 7 horas já estava no serviço, bato à porta, na Rua Adolfo Coelho, do meu compadre DC; dou-lhe um abraço fervoroso, porque tinha ouvido as notícias no rádio disco Philips Siera, trazido da Guiné, anunciando o êxito da Revolução. Até que enfim, foi a nossa expressão!…

Quando à meia noite não apareceu a Junta de Salvação Nacional, como tinha sido anunciado, no ecran da televisão ( que eu não tinha), mas na casa dum amigo, volto para ele e digo: “Isto vai dar isto”. Foi o que deu.

Pois sabia o que se tinha passado na Argélia, em que um médico filho dum professor fundador da universidade de Argel, e lá médica e assistente, a chorar “A minha terra era a Argélia; fizeram-se tantas ofensas que tive que me vir embora”. Este encontro passou-se em Roma durante um congresso.

Imagem do que se veio a passar com o nosso Portugal Ultramarino. Agonia do património e dos valores. Situação em que nos encontramos.

Ocorreu-me o que se passou no dia 1 de Maio de 1974, dia do Trabalhador. Os mais exaltados eram os troca-tintas, que mudaram, de casaca em cinco dias.

Para recordar a Assembleia Geral da Universidade no Teatro Gil Vicente, totalmente lotado, presidência ad-hoc, mas já planeado. Vai uma moção para a mesa com o seguinte teor: “Angola para o MPLA, Moçambique para a FRELIMO, Guiné e Cabo Verde para o PAIGC”. Vai à votação e só houve um voto contra.

Se a votação não fora com o braço no ar, não tinha sido esse o resultado, e as greves consecutivas não teriam ocorrido; as fábricas não teriam fechado, o aspecto horroroso do corredor Estação Velha – Estação nova seria hoje diferente. Não se teria construído num só dia a Ponte 25 de Abril.

É que na homenagem, o homenageado nasceu na Caala (Angola) e o seu discípulo perdilecto, tinha sido meu aluno em Moçambique. Foi a política da terra queimada que até acabaram com a nossa Associação Académica e se o 25 de Novembro não tem ocorrido, alguns de nós estariam pendurados nos postes da Praça da República.

Um dos mais exaltados revolucionários disse ao seu mestre em sua casa: “Isto não é Revolução, não é nada pois não mataram pelo menos 15 mil pessoas”.

Foi o terror instituído, as graves, os bloqueios da estrada, a Constituição ideológica, sob coação, cercados os deputados na Assembleia da República.

Considerado o dia 25 de Abril como o Dia da Liberdade, é prostituir a verdade. É trair a história. É esta versão que corre.

Vamos reconstruir este país, mas sem trair a verdade.

Faça-se nova Constituição; não a uma Constituição Ideológica, mas uma Constituição formatada em valores em que o respeito por três já será um grande avanço que são:
– equidade, virtuosa benfeitoria ou gratidão e credo.
Coimbra é, de todas as cidades que conheço, em que o aspecto da agonia e decadência é mais evidente. Vamos todos lutar para que renasça Coimbra que Amamos Tanto. Haja verdade! Acabe-se com a mentira!.

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