Reforma do SNS “exige medidas estruturantes” em vez da “habitual política de pensos rápidos”
Fotografia: Pedro Filipe Ramos
Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos e presidente executivo do 28º Congresso Nacional da OM, Manuel Teixeira Veríssimo afirma a necessidade de medidas de reforma que tornem o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “verdadeiramente atrativo para os médicos, evitando as carências que existem em certas regiões”
Coimbra recebe, a partir de hoje, o Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, com o tema “Um novo rumo para a saúde”. Que rumo necessita a saúde em Portugal?
A saúde em Portugal necessita de um novo rumo que lhe permita responder às necessidades da população, ultrapassando os constrangimentos que lhe conhecemos atualmente.
Um rumo que torne o Serviço Nacional de Saúde (SNS) verdadeiramente atrativo para os médicos, evitando as carências hoje verificadas em certas regiões do País e garantindo que as listas de espera para consultas e cirurgias de algumas especialidades tenham respostas em tempo adequado. Para isso, será necessária uma reforma profunda do sistema, trocando-se a habitual ‘política de pensos rápidos’ dos governos, que muitas vezes tapam de um lado e destapam do outro, por uma estratégia de médio/longo prazo em que sejam introduzidas medidas estruturais capazes de levar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a dar uma resposta satisfatória, duradoura e sustentável.
A sustentabilidade do Nacional de Saúde será um dos temas em análise. Na sua opinião, o SNS é sustentável?
A sustentabilidade é sempre um tema em cima da mesa, embora, na prática, o SNS nunca possa deixar de ser sustentável, pois é impensável que a população deixe de ter acesso a um dos maiores bens que a revolução de abril lhe trouxe.
A questão coloca-se porque, de ano para ano, os gastos com o SNS continuam a aumentar, o que, em parte, pode ser justificado pelo envelhecimento da população e pelos custos da inovação tecnológica, mas não totalmente. Aliás, estas razões não justificam a totalidade da despesa. De facto, uma parte significativa dos gastos está relacionada com desperdício. Por isso, é necessária mais organização e, também, melhor gestão do SNS, o que se enquadra na reforma atrás referida.
Há falta de médicos em Portugal, ou faltam sobretudo no SNS?
Não há falta de médicos em Portugal, há, sim, falta de médicos no SNS. Portugal é o segundo país da OCDE com mais médicos por 100 mil habitantes; por isso os médicos existem – o que falta é capacidade do SNS para os atrair e reter. É fundamental criar condições que incentivem a fixação dos médicos no SNS. E isso não passa apenas por melhorar a retribuição monetária: estou a falar de carreira médica estimulante, projetos inovadores, possibilidade de investigação, boas instalações e um ambiente motivador. Em igualdade de circunstâncias, estou convicto de que os jovens médicos preferem trabalhar no SNS.
| Pode ler a entrevista na integra na edição de hoje do DIÁRIO AS BEIRAS

