Opinião: Uma visão para 2024
Passou mais um ano e 2023 fica na memória por diversos acontecimentos marcantes. Desde logo, por ter sido o ano que marca em definitivo o início de uma nova era para a Inteligência Artificial (IA) e que começou com o alvoroço em torno de um chat que respondia a comandos humanos em linguagem natural. O ChatGPT chegou e veio para ficar. Para a história fica o espaço de tempo que demorou a atingiu o primeiro milhão de utilizadores – apenas uma semana e os desafios que veio colocar, bem como a controvérsia que desencadeou pelo impacto que poderá ter na sociedade, podendo alterar completamente a forma como se estuda, ensina e investiga. Veio iniciar também uma nova forma de pesquisar informação quando se trata de usar um motor de busca (Google, Bing) para que os resultados possam ser apresentados em linguagem natural, como se dialogássemos com outro ser humano. Tal como há cerca de 70 anos Alan Turing, considerado o pai da computação, previa que fosse suceder.
Nestes últimos meses de 2023, temos assistido a um debate aceso em torno dessa capacidade de uma máquina desempenhar funções cognitivas e simular o comportamento humano. Porque há muito que, de alguma forma, se temem as máquinas – mais especificamente, a possibilidade de poderem, um dia, adquirir inteligência humana – o que nos faz encará-las com um misto de fascínio e de medo. E foi, já no final do ano, que se alertou para os perigos de um novo algoritmo chamado Q* (Q-Star), um projeto da empresa mãe do ChatGPT que foi considerado “uma verdadeira ameaça para a humanidade” porque seria capaz de substituir os seres humanos por conseguir resolver problemas matemáticos de uma elevada complexidade. Estes e outros sobressaltos demonstraram a necessidade clara de legislação nesta área que permitiu já um acordo provisório sobre as primeiras regras do mundo para a IA na Europa, iniciando assim o caminho da regulamentação, mesmo com argumentos contra a apontarem para o facto de poder sufocar a inovação e limitar o potencial da IA.
Mas o ano fica também marcado por muitos outros acontecimentos. Das decisões de regresso a modelos de trabalho presencial, três anos após o início da pandemia, da redução ou eliminação do tempo de colaboração em plataformas colaborativas (Teams, Zoom, etc.) que, para alguns decisores, estava a afetar a capacidade de inovação das empresas. Um aparente recuo num modelo de sucesso que cresceu durante a pandemia.
Em 2024 será dada grande atenção aos novos desenvolvimentos que começarão a mostrar todo o potencial da IA em diversos setores da sociedade. Os dados e o conhecimento especializado são recursos críticos para o desenvolvimento e a implementação da IA, no fundo o seu verdadeiro “combustível” e a melhoria da sua qualidade, quantidade e diversidade, serão cruciais para permitir a sua evolução. Como tal, não será surpreendente que a procura de especialistas nesta matéria, sejam investigadores, engenheiros e outros profissionais também continue a crescer à medida que mais sectores adotam e integram IA nas suas operações.
Este será também um ano de eleições, seguramente com impacto em diversas políticas que poderão ter impacto no plano da digitalização. Importa que o financiamento de apoio à digitalização quer no setor público quer no privado (do PRR ao Portugal
2030 ) continue a chegar ao terreno e que esta trajetória prossiga. Porque o tempo, esse, não para.

