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Opinião: Sobre os méritos da vacinação

29 de novembro às 11h56
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Inequívoco. Nove em cada dez internados nos cuidados intensivos dos hospitais de Bruxelas por Covid 19 não estão vacinados. O décimo é, em regra, um idoso com um quadro clínico muito reservado e que a Covid 19 veio agravar. Este é o relato duro e cru de Nathan Clumeck, na televisão pública (RTBF), um reputado professor universitário e famoso infeciologista belga.
Segundo este especialista, que defende a vacinação obrigatória para todos os adultos com mais de 55 anos e para os imunodeprimidos, não existem dúvidas de que a vacinação é um elemento fundamental para reduzir o nível de contaminação, face a novas vagas de Covid 19.
Não precisamos ser especialistas, basta sermos pais com crianças em idade escolar para sabermos que os menores de 12 anos são atualmente os principais transmissores. Temos todos os dias notícias escolares a esse propósito. Coincidentemente, ou talvez não, são a faixa etária não vacinada na europa!
Na véspera de ouvir a opinião cientificamente sustentada de N. Clumeck, o centro de Bruxelas fora palco de uma grande manifestação ( 35 mil pessoas) de sinal contrário, que juntara negacionistas, anti-vacinas, extrema-direita e anarquistas. Ou seja, um “melting pot”, que circunstancialmente reuniu diferentes tendências e motivações, que veem na pandemia o objeto oportuno para expressar as respetivas “liberdades”.
Ora, colocar a discussão no plano dos direitos e das liberdades tem menos sentido ainda, porquanto os direitos dos anti-vacinas não são superiores ao dos vacinados. Mais, a realidade mostra que existem fatores que impõem as limitações de alguns direitos e liberdades, por isso mesmo deixámos de viajar, de nos divertir, de trabalhar, de socializar como antes fazíamos. No limite, quem quiser recusar a vacinação não poderá ter acesso a um conjunto de serviços e de privilégios. Mesmo para os vacinados essas limitações persistem, logo por maioria de razão…
Recordemos que Edward Jenner criou a vacina contra a varíola e foi, ao tempo, nos finais do século XVIII, considerado um criminoso, aproveitador, charlatão. Também houve manifestações contra esta vacina. E muitas. Pois bem, a OMS declarou algumas décadas depois a varíola erradicada no mundo por conta da dita vacina, de que, hoje, ninguém duvida!
É certo, que talvez não conheçamos todos os efeitos das vacinas no longo prazo, mas no curto são por demais evidentes e têm grau elevado de eficácia. É disse que se trata neste exato momento. Salvar vidas, mas também a economia e as relações em sociedade. No longo prazo, seguindo a lógica das coisas, já ninguém cá estará para contar como será.

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