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Opinião: Pedro Nuno Santos ainda “irá” a tempo?

16 de fevereiro às 11h59
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Contrariando claramente o André Ventura, a proposta de Pedro Nuno Santos sobre os estudantes que acabam o curso de medicina numa Universidade Pública, é de um social democrata.
Andou perdido entre acordos à esquerda para governar, e a questão do voto útil, mudando de discurso – e bem – para um eleitorado ao centro que não se revê na direita liberal e muito menos na direita radical, incoerente, patética e sem rumo.
Não faz sentido, aliás nunca fez nem fará que, milhares de portugueses que pagam os seus impostos não tenham médico de família. Um direito que lhes assiste, assente na Constituição da República Portuguesa, mas que não é cumprido. Aliás, por vezes fico atónito quando alguns comentadores e o próprio Presidente da República nos remetem para a CRP em diversas matérias. E as outras atentatórias da dignidade humana?
Que os jovens médicos que acabem os cursos na Universidade Católica se “façam à vida” é um direito que lhes assiste. As suas famílias pagaram propinas e todas as outras despesas e, portanto, são livres por direito próprio.
Os estudantes das universidades públicas não têm esse direito, mas o dever de corresponder aos cidadãos que os ajudaram a fazer o seu curso de medicina.
A saúde, a educação e a justiça – não esquecendo o problema da habitação – são decisivos para o bem-estar dos cidadãos.
Aliás, eu gostaria também de ver discutida nesta campanha eleitoral a questão da educação e da escola pública.
A sociedade não pode deixar ao abandono a grande maioria dos jovens portugueses, dividindo a escola para quem pode pagar e… a escola para os outros!
É que, “a escola para os outros” é a escola pública com as dificuldades que lhe reconhecemos, sem que haja uma “boa alma ou, mesmo só alma, que lhe deite a mão”!
A Escola Pública do futuro deverá assentar numa reforma global funcionando como uma organização em que todas as disciplinas deverão ter o mesmo grau de importância. Uma escola disciplinada e disciplinadora, porquanto existem já milhares de alunos de várias nacionalidades com culturas diferentes e que deverão ser integrados na nossa sociedade.
A Escola Pública deverá assumir a responsabilidade de criar condições para que todos os jovens sejam iguais em deveres e direitos.
Os professores são cidadãos fantásticos que “dão tudo pela sua escola” não podendo ser deixados ao abandono por efeito de agressões físicas, agressões verbais, entre outras.
Mas para que os professores se sintam defendidos, para que os alunos e suas famílias saibam que a “organização escola” funciona na sua plenitude, é necessária uma outra forma de gestão.
Já foram experimentados vários modelos e nenhum deles resultou.
Poderá estar na hora de, a título experimental e em vários estabelecimentos de ensino, ser proposta e aplicada uma gestão privada.
Eu sei que os fundamentalistas, logo que ouvem falar em gestão privada ficam de cabelos em pé. Mas isso não me tira o sono!
O que me tira o sono é não estarem a ser dadas as mesmas possibilidades aos alunos da escola pública em confronto com as escolas privadas.
Por isso, quando se fala em rating há gente que se arrepela, dizendo que os critérios de avaliação estão todos errados. Mas nem todos estão!
Mas o que mais me ofende, é saber que dirigentes responsáveis não valorizam os testes intermédios e achem que que não servem para nada. Isso é demagogia, insensibilidade, falta de conhecimento…e por aqui me fico!
Já agora e a “talhe de foice”; quando em tempos me insurgi contra algumas decisões da justiça feitas na base do “tenho a impressão ou convicção de”, quase que fui crucificado na praça pública e, pasme-se, ou talvez não, pelos que me estão mais próximos!
Com o espectáculo que por aí vai…hei, é só para dizer que o meu número de telemóvel é o mesmo; cá os espero!

Pode ler a opinião na edição impressa e digital do DIÁIRO AS BEIRAS

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