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Opinião: Os bitstrings

26 de fevereiro às 08h44
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Para além da escala e frequência das transações, existe, atualmente, uma vertente imaterial dos negócios, associada a um tipo particular de bens e serviços que apresentam atributos distintivos, quando comparados com os bens analógicos físicos, que está a ganhar, de forma gradual, uma importância determinante: são os de ncia, a eficácia, a economicidade, bem como a produtividade proporcionada pelas novas tecnologias são quantitativamente mais desiquilibradoras do que as revoluções tecnológicas anteriores. Sob o ponto de vista qualitativo, as TIC podem ser percecionadas e comparadas metaforicamente à roda, à máquina a vapor ou à eletricidade, que viabilizaram as primeiras revoluções industriais, com profundo impacto na organização económica moderna. No que tange ao consumo, observa-se que, pelo lado da procura, os bens do conhecimento são mais do que os fatores produtivos integrantes e, em consequência, a soma é muito superior à soma das partes materiais que os integram. Até ao presente, de uma maneira geral, os indivíduos consumiam bens materiais contendo conhecimento. Observa-se, contudo, na atualidade, que, cada vez mais, o próprio conhecimento é produzido como um bem final. Hoje, a sociedade consome videojogos, softwares informáticos, imagens e métricas digitais e acesso à internet, da mesma forma que utiliza os bens visíveis que continuam a fazer parte do nosso cabaz de compras, desde a alimentação ao vestuário. No que toca às transações, que abarcam a transferência da posse de bens de quem os produz para quem os compra, surgiram novas formas de organização dos mercados. Desta maneira, a nova economia transcende o campo restrito da eficiência das transações para se posicionar ao nível superior da eficiência dos mercados. Com efeito, a economia do conhecimento não está ligada apenas às TIC e à internet, ferramentas que são as suas formas mais visíveis, dado serem instrumentos de comunicação em rápido e exponencial crescimento. De facto, a internet, mais do que um simples meio de comunicação social, comporta-se, hoje, como um verdadeiro mercado, graças ao seu funcionamento como um sistema de informação biunívoco, em que os ofertantes e os compradores interagem. Os bens específicos, proporcionados pela economia da web, podem ser designados por bens digitais, definidos, em termos genéricos e abstratos, como sequências de zeros e uns com valor económico (bitstrings). Os bens de conhecimento, factualmente, caracterizam-se por poderem ser codificados e enviados de um local para outro sem necessidade de transferência física. Neste quadro, representam os bens imateriais que os indivíduos se habituaram a armazenar nos computadores e a enviar para outros, via internet (música, informação, softwares de trabalho ou de divertimento, etc.). Não se deve, porém, confundir o bem digital com o seu suporte físico. De facto, uma pen é um objeto físico, mas esta deve ser distinguida do seu conteúdo. Este é um bem digital com atributos muito específicos: não rivalidade; expansibilidade infinita; discrição (o que significa, do ponto de vista da sua utilização, a reprodução de unidades inteiras, e, por isso, menos de uma unidade não tem qualquer utilidade); espacialidade; recombinação (os bens digitais podem ser recombinados, dando origem a outro bem digital, o que significa que uma notícia divulgada num jornal pode ser utilizada para produzir uma peça televisiva. Estas cinco propriedades apresentadas viabilizam uma diferenciação formal entre a economia dos bens da web e a economia dos bens analógicos (ou não digitais). Assim sendo, os bens digitais possuem características que os demarcam de forma clara do objeto da economia tradicional. Nesta sequência, observa-se que a sociedade em que vivemos é claramente mais significativa, em termos de economia de bens digitais, do que a anterior.

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