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Opinião – Natal não é quando o homem quer…

08 de dezembro às 18h27
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Há um belo poema de José Carlos Ary dos Santos, popularizado pela voz de Paulo de Carvalho, que a dado passo verseja assim:

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser

Na poesia assim pode, de facto, suceder.
Mas na vida real, no quotidiano, as coisas são mais prosaicas.

No nosso mundo a sério o Natal é mesmo em Dezembro, assinala o nascimento de Cristo há 2021 anos, e até os ateus, agnósticos e adeptos de outros credos celebram a data, por acção ou por omissão – isto é, os crentes festejando o nascimento do tal Menino Jesus, os outros assinalando antes, e apenas, aquela que passou a ser a festa da família para grande parte da Humanidade.
Os que, como eu, já se viram forçados, em vários anos, a passar esta quadra longe da família, sabem bem como a saudade se torna então mais dolorosa.
No meu caso sucedeu em três anos consecutivos, por estar em Angola, para lá levado pela Guerra Colonial, com calor sufocante em vez do frio gélido a que Dezembro me habituara desde a infância. Frutas tropicais em lugar de rabanadas. E também sonhos, é certo. Só que os meus não eram então os doces natalícios, mas antes outros, mais etéreos: os de que depressa chegasse a hora do regresso…
Longe estava eu então de imaginar (e como eu todos os outros seres humanos), que ia chegar uma época em que coisa estranha e traiçoeira, não visível a olho nu, havia de nos impedir de natalizarmos à maneira tradicional.
Mas eis que veio o vírus e foi-se a festa!…
Pelo segundo ano consecutivo, não vamos poder reunir com a família, os amigos, os colegas, como nos havíamos habituado.
E mesmo os que ousem convergir para tais convívios, em vez de beijos e abraços, decerto vão distribuir cotoveladas e gel desinfectante, com sorrisos receosos ocultos pelas máscaras…
A Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra também decidiu cancelar o convívio de Natal que estava a ser planeado – à semelhança do que já sucedera o ano passado.
Lamentamos ter de tomar esta decisão, mas entendemos que ela é a mais sensata perante o recrudescimento da pandemia.
É desejável que muitas outras organizações façam o mesmo, para que 2022 não comece com o trágico balanço com que se iniciou o ano que ora finda.
Em meu nome e em nome da AAEC, quero aqui deixar os votos de um Natal com saúde e boa disposição a todos os antigos estudantes. Mas também aos actuais, sobretudo aos milhares de estrangeiros que frequentam a Universidade de Coimbra, que serão aqueles a quem a distância mais acentua a saudade.
Boas e seguras festas para todos!

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