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Opinião:; Carta de Bruxelas

10 de junho às 10h32
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No momento em que escrevo estas linhas, as projeções eleitorais apontam para uma redução da abstenção em Portugal por comparação com anteriores atos eleitorais. Isso só por si é uma boa notícia! Ainda assim cerca de 60% dos eleitores não comparecem. Uma percentagem demasiado elevada para a relevância que o projeto europeu tem tido nas nossas vidas.

O que teria sido de nós durante a pandemia recente (Covid) sem a UE? O que seria de nós atualmente com uma guerra à porta sem a esforço integrado da UE? As respostas a estas duas questões (e apenas estas) já justificariam por si só uma participação eleitoral bem mais expressiva!

Em 1950, um dos pais fundadores do projeto europeu, Robert Schuman, escrevia que “a paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos que estejam à altura dos perigos que a ameaçam”. Passadas tantas décadas continua atual.

Parece que o voto em mobilidade pode ter ajudado a baixar a abstenção. Uma ótima decisão. Mas valeria a pena replicar bons exemplos de alguns outros Estados Membros: voto eletrónico e as eleições não estarem concentradas num dia apenas, por exemplo. Para quando?..

Estas eleições para o Parlamento Europeu revestem-se de particular importância pela incerteza dos próximos anos. Não sabemos quanto tempo mais durará a Guerra na Ucrânia e disso depende muito do futuro europeu. Há indícios de que os populistas, radicais e da extrema-direita terão bons resultados em diversos países e isso deve preocupar-nos, pois na essência são contrários aos valores que estão na base da própria UE. Os nacionalismos exacerbados são por definição contra a corrente da coesão e da integração em que a UE assenta.

Dos resultados destas eleições iremos perceber se algumas das prioridades estratégicas dos últimos anos continuarão em cima da mesa: as alterações climáticas, a regulamentação digital, a forte coordenação em assuntos externos. Ou, se ao invés, a nova composição parlamentar irá forçar a Comissão Europeia a fixar novos objetivos.

Dependendo dos resultados (que ainda desconheço a esta hora) poderá haver ainda “leituras nacionais”. E isso naturalmente não é de somenos. Mas hoje foi um dia dedicado à Europa. Eu, que sou um europeísta muito convicto, votei com enorme orgulho e alegria.

Autoria de:

Ricardo Castanheira

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