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Opinião: Acordem!

09 de abril às 11h35
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Estamos a poucos dias de celebrar os 50 anos do 25 de Abril. E no centro da agenda política nacional estão os jovens. E não pelas melhores razões. Prova de que alguns dos objetivos da “Revolução dos Cravos” estão ainda por cumprir e – tão relevante quanto – o que temos dado como adquirido (a democracia liberal como a conhecemos) pode não sê-lo!..
Estranham por que motivo os jovens se abstêm e desprezam a política? Ainda não compreendem por que estão a apoiar crescentemente projetos radicais e populistas? O desencanto natural, a falta de oportunidades (emprego e habitação) e a ausência de perspectivas – atrelados a um contexto de guerra na Europa e de instabilidade global – explicam muito.
Mas como se pode pedir mais participação cívica se não existe um programa de educação voltado para o efeito? Este é um investimento (no futuro da democracia) que exige uma adequação curricular urgente e um compromisso da escola e da sociedade como um todo.
Dever-se-ia aproveitar a celebração de Abril para verdadeiras campanhas de sensibilização centradas nos jovens (essencialmente na escolas e nas redes sociais) sobre a importância da democracia.
Ao invés de se falar em retorno do Serviço Militar Obrigatório dever-se-ia criar um modelo de envolvimento cívico que tivesse uma componente escolar/universitária, o compromisso das empresas, ações de voluntariado em setores sociais e que pudesse ter também uma componente de segurança nacional e de cibersegurança. Já agora um programa estruturado de envolvimento e formação por pares, modelos e mentores de forma a proporcionar oportunidades de orientação e ligar os jovens a modelos inspiradores para os motivar a agir e a tornarem-se cidadãos activos.
Abordo aqui a dimensão cívica e a participação democrática. Está a montante da falta de emprego, da carência habitacional e da emigração como escapatória. Não se excluem, antes, são concomitantes.
Estamos num momento crucial para ganhar a confiança dos jovens no processo político e combater o ceticismo e a desilusão, promovendo a transparência e a responsabilidade.

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