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Opinião: A Opinião de um multimilionário

09 de setembro às 15h05
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Neste conjunto de notas sobre questões ambientais, volto a comentar o texto de um livro dedicado a estes temas. Desta vez trata-se de um livro que me despertou a curiosidade, por ser da autoria de um Multimilionário, que é bem conhecido no mundo inteiro, por ter sido o fundador da Microsoft. Trata-se, como bem sabem, de Bill Gates, que foi o promotor de uma das revoluções mundiais, em que estamos a participar, que consistiu em colocar praticamente um computador nas mãos de cada cidadão, nos países desenvolvidos, com o seu potencial de acesso a uma multiplicidade de conhecimentos, de ferramentas de trabalho, de informação e de lazer.
Esta revolução informática contribuiu muito para melhorar as condições de vida e de bem-estar económico da humanidade. Infelizmente, o mesmo não aconteceu com muitas outras inovações na ciência e na técnica, que também contribuíram para melhorar a nossa vida, mas que, em poucas dezenas de anos, causaram um prejuízo dos recursos naturais, da biodiversidade e do equilíbrio climático, de uma forma que se pode tornar irreversível
Chamou-me a atenção o facto de este livro ser de uma pessoa que criou uma revolução tecnológica, que lhe granjeou uma projeção e uma fortuna imensas e ainda por cima, num país, os Estados Unidos da América. Como sabemos, durante os últimos anos, nos Estados Unidos, relativamente poucas vozes com relevo se levantaram para assumir a defesa da Terra e do ambiente, perante um iminente desastre climático. Embora o livro tenha sido publicado em 2021, pode ver-se que a sensibilidade de Bill Gates para o problema do desastre ambiental para que caminhamos se foi afirmando desde há já vários anos.
O livro “Como Evitar um Desastre Climático”, editado pela Ideias de Ler, é relativamente simples de ler. Está escrito com o pragmatismo de uma pessoa com a formação de engenheiro, que sabe usar bem o seu tempo e por isso respeita o dos outros. Sem ser propriamente um livro cientifico, vê-se que é baseado em dados científicos coligidos por Bill Gates junto de vários cientistas eminentes, que ele não apenas consultou, como pagou para lhe facultarem conhecimentos e dados sobre muitas das questões que o problema da mudança climática e das suas consequências, caso nada seja feito, lhe colocaram, como sucede com muitos de nós.
É impressionante ver a longo do livro, como Bill Gates investiu parte importante da sua imensa fortuna para apoiar projetos e iniciativas que se destinavam a procurar ou a validar soluções para algumas abordagens do problema. Em muitos casos reconhece, com simplicidade, que esses investimentos fracassaram, mas tal facto não o entristece, pois admite que é normal na ciência e nos empreendimentos humanos haver um grande número de fracassos, para se poder obter um sucesso.
Bill Gates começa o seu livro com um desafio radical, que é o apontar para a exigente meta de zero emissões de gases de efeito de estufa, num prazo muito imediato, como única forma de travar e, mais tarde, inverter o processo de alteração climática, que nos pode conduzir, no limite, a um desastre de graves proporções, se tal não for feito. Depois, dedica todo o seu livro a mostrar o que podemos fazer, como sociedade organizada e como indivíduos, para percorrer esse caminho.
Explica que o empenho na eliminação das emissões deve ser radical e global. Não basta reduzir as emissões, como por vezes ouvimos dizer, mas temos de eliminá-las completamente, Não basta alguns países ou setores da humanidade reduzirem a zero. Se outros, mesmo poucos, não o fizerem, o resultado final catastrófico será o mesmo, embora possa demorar um pouco mais de tempo a atingir. Por esse motivo é essencial a participação dos decisores políticos, que podem produzir e aplicar leis que modifiquem o comportamento de múltiplos setores de atividades, e são muito importantes os acordos internacionais, que obrigam todos os países a respeitar essas normas e a procurar atingir as metas.
Para eliminar as emissões, temos que atuar nos sistemas de fabricação, na conversão de energia (para nos disponibilizar energia elétrica), na atividade agrícola, nos transportes e na climatização e conforto. A intervenção nestes cinco setores é necessária, mas trata-se de um processo lento e que tem custos adicionais. É lento, porque envolve mudanças nas mentalidades e nos hábitos. Tem custos, porque, por enquanto, manter em operação os processos em geral mais poluentes de que dispomos, se torna mais económico do que colocar em prática soluções menos poluentes.
Tendo em conta o papel da energia, em especial da energia elétrica, em todos os processos, a possibilidade de produzir eletricidade a partir de fontes não poluentes, como a solar, a hídrica, a eólica, a geotérmica e também a nuclear, constitui um passo importante para a sustentabilidade. Mais ainda se for acompanhada da conversão de todos os processos, em que tal seja possível, incluindo os transportes, para o uso generalizado e eficiente da energia elétrica. Juntamente com isso, temos de fomentar o bom uso dos materiais, nomeadamente através da reciclagem, e possivelmente de reorientar os nossos hábitos alimentares.
Como Bill Gates recorda ao longo de todo o seu livro, este processo exige um grande investimento da ciência, que tem permitido e irá permitir os avanços técnicos de que precisamos, para alcançar a desejada meta de zero emissões de gases de efeito de estufa.

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