Manifestação de profissionais em Lisboa exige maior atenção dos políticos à Cultura

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Foto de arquivo | Rádio Renascença

Algumas dezenas de profissionais da Cultura manifestaram-se hoje junto à escadaria do Parlamento, em Lisboa, para exigir maior atenção dos responsáveis políticos para o setor e melhores condições de trabalho.

A concentração foi uma iniciativa do Movimento Outra Política para a Cultura (MOPC) que quer ver os partidos políticos a darem mais atenção às questões da arte e da cultura, tendo no final sido lido um comunicado com as exigências, que foi aclamado pelos manifestantes.

“Exigimos que todos os partidos políticos que nos representam na Assembleia da República se preocupem, verdadeiramente, com a situação em que se encontra a Cultura deste país, e que a mesma passe a ser uma prioridade no trabalho dos futuros grupos parlamentares e do próximo Governo”, lê-se no comunicado hoje divulgado.

Num grande pano estendido no final da escadaria lia-se uma reivindicação de há mais de uma década, “1% para a cultura”, indo ao encontro do recomendado pela UNESCO, 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a atividade cultural, disse à agência Lusa Pedro Penilo, do Manifesto em Defesa da Cultura, que faz parte do MOPC.

Penilo afirmou que inicialmente se exigiu 1% do Orçamento do Estado como forma de chegar ao 1% do PIB, e defendeu que o setor tem de de debater mais esta questão.

Esta reivindicação “é importante e tem sido escutada”, disse à Lusa Tiago Santos do MOPC, que reconheceu uma falta de mobilização para o que o setor representa, dado a presença de menos de uma centena de manifestantes.

“É capaz de não haver uma grande tradição de luta e organização neste setor”, disse Tiago Santos, referindo a “recente fusão dos sindicatos Cena [Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual] e do STE [Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos]”, que demonstra “as dificuldades que tem havido”.

“Há uma certa tendência a lutar-se e as pessoas a mobilizarem-se quando as coisas lhes doem diretamente na pele, ou seja, quando há os resultados dos concursos às artes, ou o orçamento para a cultura, em que [os problemas] estão mais evidentes”, disse Tiago Santos.

“A maneira como a cultura tem sido tratada pelo Estado e pelos sucessivos governos, é a principal responsável por este desligamento e este afastamento”, acrescentou Tiago Santos.

Os manifestantes exigem “mudanças de fundo no financiamento e na política para este setor, no sentido de uma vida laboral com mais direitos e mais condições de trabalho”, segundo o comunicado hoje divulgado durante a concentração em frente à Assembleia da República.

Nas artes performativas, o MOPC critica os “constrangimentos orçamentais” e “os atrasos sucessivos nos concursos de apoio”, que “criam um sistema perverso, [e] potenciam os despedimentos e uma lógica de pura sobrevivência”.

No comunicado são listadas as diferentes exigências, de acordo com a respetivas áreas, das artes performativas ao cinema, à arqueologia e ao património cultural.

O documento é assinado pela Associação pelo Documentário (Apordoc), a Arcus – Cooperativa do Património Cultural, o Sindicato dos Trabalhadores dos Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), pelo Centro Dramático de Évora (Cendrev), o Coletivo 249, o Manifesto em Defesa da Cultura, o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STArq) e o Teatro Extremo.

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