Opinião: As ilustres casas de D. Bonifácio de Figueiró

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Os Manos, naturalmente, começam o dia cedo no n.10 da rua Luiz Quaresma Val do Rio, na simpática vila portuguesa de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, e dos concelhos mais antigos do país ( 1204 ). Mas nunca naquela casa se abre a porta sem que o gato voluptuoso, com as suas maneiras aveludadas, não esteja já lá à espera na soleira da entrada do café, sempre numa pose digna de um felino egípcio. “Hoje, eram 6:30 quando ele apareceu”, apontou o “padrinho” Davide, de 62 anos. O bom homem já sabe a cartilha do cavalheiresco gato, que é sempre o primeiro cliente, todos os dias. Além do Santo António e do Galo de Barcelos, o felino figueiroense tem também espaço dedicado no estabelecimento, e aqui começa o passeio do dia pelas ilustres casas de repasto da Vila onde se servem as melhores petingas de sardinha. “É o melhor cliente de petingas!”, atira Carlos Pereira, de visita. Diante do canapé, o fiel amigo costuma aviar-se de pelo menos uma dúzia que o dono lhe deixa ficar pagas para durante o dia até ao seu regresso do trabalho. O Zé, que trabalhou num “grande circo místico”, conhece bem das suas afeições, dos seus hábitos e tal como Eliot, consegue ter longas e amigas conversas com o gato. Foi treinado a andar pelo passeio e a atravessar a rua na passadeira para ir depois até à “quelha do Bento”, no final da rua, onde frequenta a Petisqueira Figueiroense, à entrada da Vila. Depois, do outro lado da rua, na D. José Martinho Simões, visita a histórica Adega dos Passarões, onde os petiscos da Senhora Etelvina só se descobrem por detrás de antigas portas de salão. Já depois de o Sol ir alto, o conhaque do dia habitualmente é servido no majestoso Solar, no cimo da rua Luiz Quaresma, onde tem igualmente cadeira dedicada ao balcão, para meditação. É um gato gentil, e sem nome devidamente apaparicado ou invulgar. Mas para o Zé, o seu fiel amigo “é já de todos” nesta simpática Vila. Regularmente aparece nas conversas de café, tal como Bonifácio nas páginas de Eça, como membro da família, em que “ao chegar à idade do amor e da caça fora-lhe dado o apelido mais cavalheiresco de “D. Bonifácio de Calatrava””. Em breve, será Reverendo também. Nas ruas de Figueiró, todos o conhecem, e enquanto dá a conhecer as ilustres casas, há turistas que já o procuram para a “selfie” da Vila. Tudo o mais na vida tem um interesse secundário, apontou Pessoa.

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