Opinião: 2024 é eleitoral

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Em 2024 decorrerão mais de 70 eleições em países que representam mais de metade da população mundial, cerca de 4,2 mil milhões de pessoas. Contudo, o que soa a mais democracia formal não é necessariamente mais democracia real. Embora haja mais votações e processos eleitorais do que nunca, isso não parece refletir um aumento real da democracia liberal: muitas eleições não serão nem livres nem justas, apenas simulacros formais para “observador ver”. Mais de metade da população do planeta reside em países que realizarão eleições nacionais em 2024, um marco inédito, ainda assim. Em 2024, espera-se que quase 2 mil milhões de eleitores em mais de 70 países vão às urnas, desde o Reino Unido até ao Bangladesh, da Índia à Indonésia. No entanto, o que poderia ser um ano triunfante para a democracia parece ser precisamente o oposto, revelando uma tendência alarmante. Apenas 46% da população vive em alguma forma de democracia formal (não real). O aumento dos regimes autoritários, representando 37% da população mundial, é especialmente preocupante, com destaque para países como o Afeganistão ou Mianmar. Nas Américas os desafios são crescentes, com destaques para os EUA como uma democracia cada vez mais polarizada que vai contagiando, eleição atrás de eleição, em vários pontos do planeta. Na Europa, enquanto a Europa Ocidental se destaca pela concentração de democracias plenas, ainda que imperfeitas, a autocracia putinista e a guerra na Ucrânia impõem novas fronteiras à democracia liberal. A África e o Médio Oriente marcam um predomínio de regimes formalmente autoritários. 2024 destacar-se-á pelo número recorde de votações nacionais mas igualmente pela preocupante erosão dos fundamentos democráticos, exigindo uma reflexão sobre como garantir a resiliência e vitalidade dos sistemas democráticos numa sociedade global em constante disrupção.

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