Opinião: É crime?

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Estar do outro lado. Ser contra a captura do Estado pela grande corrupção pública, a desigualdade, a discriminação, e a pobreza? Se não o é, então o que será quando o Povo já não chora nas ruas uma única lágrima de indignação pela falta de ética e Auctoritas da sua gente governante, a quem já nada lhe pesa na consciência. A corrupção deixou de ser crime. Agora, o crime é ser minoria.
Na África do Sul, a maioria dos 60,2 milhões de sul-africanos votou ANC, mas diz agora que não consegue compreender por que razão o partido não embarca numa reforma significativa após quase três décadas no poder que resultou num crescimento económico estagnado de 0,6% de PIB; uma taxa de desemprego de 31,9%, ou de 41,2%, se contarmos os que “não são empregáveis”; uma governação a desmoronar; e uma violência sem precedentes com mais de 6.900 homicídios e 4.300 sequestros reportados no último trimestre deste ano.
A resposta: Deve-se à determinação inabalável do partido em implementar gradualmente um sistema socialista, desmantelando o modelo capitalista da economia mais desenvolvida do continente, segundo a investigadora Anthea Jeffery.
Toda esta “transformação” do país, a que os sul-africanos são forçados a assistir “até Jesus vir à Terra”, como refere o ANC sobre a sua continuidade no poder, tem sido implementada estrategicamente através de uma “Revolução Nacional Democrática (RND)” de inspiração leninista, que remonta à década de 1917. Mais de um século depois, e apesar do colapso da União Soviética, em 1991, a teoria do Imperialismo de Lenin continua a ser o “pilar central” das políticas da aliança governativa ANC/SACP [Partido Comunista da África do Sul] que consideram a RND como o “caminho mais direto” para o socialismo, segundo Jeffery. Por exemplo, a RND transformou a indústria extrativa – motor da economia do país -, num sector em grande parte “ininvestível”.
Não tinha que ser assim. Mas é, no caso deste país. E o que restará da África do Sul se o ANC se fragmentar?

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