Opinião: O Hamas Ocidental

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É difícil ficar indiferente, até porque passaram hoje 15 dias de guerra entre os radicais armados de Gaza e Israel. É uma guerra a quase 10.000 km de distância, mas sentida na África do Sul onde vivem em harmonia cerca de 75.000 judeus e 650.000 muçulmanos, bem como milhares de pessoas que simpatizam com estas comunidades.

Acontece que o Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007 após uma guerra civil e que é classificado como terrorista por Israel, Estados Unidos e pela União Europeia (UE) – o maior doador de ajuda financeira e humanitária aos palestinianos em Gaza, recebeu esta semana um telefonema de “apoio” da chefe da diplomacia sul-africana, Naledi Pandor.

Primeiro, Pretória disse que era “falso”; horas depois a governante contrariou a Presidência da República dizendo que sim, que aconteceu, justificando que o telefonema visou “oferecer ajuda humanitária” a pedido do Hamas.

É curioso que após a cacofonia da União Europeia para explicar se financiou o Hamas com mais de 930 milhões de euros desde 2000, se questione agora neste país se o apoio de Pretória, da UE e da ONU ao “povo palestiniano” de Gaza não é um “apoio tácito” ao movimento islamita palestiniano armado Hamas, que após massacrar 1.400 civis, na sua maioria jovens, crianças e idosos, em território israelita, e fazer centenas de reféns, mantém há 15 dias o bombardeamento também de cidades e populações em Israel.

Além dos fundos europeus, é de notar que no ano passado, em 18 de janeiro de 2022, a Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras aos Refugiados da Palestina (UNRWA) anunciou 1,6 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) em financiamento “para apoiar milhões de refugiados palestinos, com serviços e programas vitais que salvam vidas, incluindo educação, saúde e assistência alimentar”, incluindo “financiamento de emergência adicional para a UNRWA responder às necessidades humanitárias decorrentes das crises em Gaza, na Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental), na Síria e no Líbano”. Ou seja, precisamente as regiões onde também opera a Irmandade Islâmica, criada no Egito e da qual o Hamas faz parte.

Se o Ocidente e a Europa não estão a financiar o Terrorismo internacional, sendo que na ótica do académico Tom Dannenbaum, da Universidade Tufts, em Massachusetts, citado pelo Financial Mail sul-africano, “não há dúvida de que o ataque do Hamas envolve múltiplos crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, importa saber, em nome da transparência e da boa governação, quem recebeu esses mais de 2,4 mil milhões de euros dos contribuintes fiscais europeus e da ONU; quem foram os bancos que facilitaram essas transações financeiras; para que contas bancárias, onde, porquê, para que fins e quais os resultados da aplicação desse mesmo dinheiro?

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