Opinião: Acelera, carrega no play. Aqui há um Portugal capaz

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Tal como em tudo na vida, agradar a todos é impossível. Após a disponibilização à venda dos bilhetes para os quatro concertos dos Coldplay em Coimbra, assistimos a um “confronto” de opiniões, uma espécie de prós e contras versão redes sociais. O mesmo voltou a acontecer agora, à medida que os concertos foram acontecendo. A alegria e a felicidade de quem os vivenciou, versus a incompreensão o transtorno e o estado do país (este também foi argumento) de quem os criticava ou não compreendia. Mordomias da maravilhosa liberdade de expressão.
Não é relevante se gosto muito ou pouco de Coldplay, nem tampouco se assisti ou não aos concertos. Relevante é perceber tudo o que vai muito para além dos concertos. Afirmar estes territórios, afirmar a região Centro do País, afirmar Coimbra como parte integrante e muito válida do território nacional. Coimbra enquanto capital do distrito tem obrigatoriamente de assumir a liderança num processo de demonstração ao País, à Europa e ao Mundo que aqui existe verdadeira alternativa a Lisboa e Porto quando em causa está, não só a organização de eventos de grande dimensão, mas também a fixação no território de todo o tipo de recursos, sejam eles materiais ou humanos.
Com Coimbra a receber mais de 200 000 pessoas para estes quatro concertos e com os concelhos de Arganil, Figueira da Foz, Góis, Lousã e Mortágua (embora este não sendo do distrito de Coimbra é um concelho que integra a nossa Comunidade Intermunicipal) a receberem etapas do WRC Rally de Portugal, que mobilizaram centenas de milhares de pessoas, a nossa região foi o centro de Portugal, mas foi muito mais que isso, foi o centro das atenções. E foi pelos melhores motivos. Eventos de dimensão mundial, com organizações exemplares que conseguiram satisfazer simultaneamente artistas e espectadores, têm de ser reconhecidos e têm que encher de orgulho todos os que verdadeiramente gostam desta região. Mas os benefícios esgotam-se por aqui? Apenas na projecção mediática do nosso território? Não, obviamente que não. Que a voz seja dada aos agentes económicos aqui radicados e não só. Esses, melhor que ninguém, poderão fazer o retrato real do quão esta dinâmica gera trabalho, vendas e proveitos.
A hotelaria, a restauração, os supermercados, os sistemas de transportes (desde o avião e do comboio, passando pelo autocarro e pela rent-a-car, até chegar ao taxista, aos TVDE e até mesmo à trotinete), as empresas que fabricam e vendem o merchandising, as empresas de venda de combustível e até mesmo a Via Verde, todos estão certamente muito agradecidos a estes eventos. Os fornecedores destas empresas estarão também eles muito agradecidos. Os colaboradores de todas as empresas ligadas directa ou indirectamente a estes eventos tirarão daqui também o seu proveito. E isto mais não é que dinâmica económica a acontecer, potenciada localmente por aqueles que ainda conseguem ter a visão que estes investimentos são necessários e que se convertem facilmente num retorno amplamente maior para o seu território que aquele que custou do seu orçamento. Com a devida ponderação, o que necessitamos é que se repitam mais vezes.
Aos catastrofistas, àqueles para quem nada devia ser feito porque tudo vai correr mal, ou mesmo aos que veem como consequência quase directa que quem comprou um bilhete para ver os Coldplay no mês seguinte terá de entregar a casa ao banco, tenham calma. Não sendo às vossas custas, a felicidade dos outros não vos deve incomodar. Na infelicidade vivemos todos muito pior, certamente. E convenhamos que se a nossa maior excentricidade for esta, não me parece que venha mal ao mundo. Importa que se “Viva la Vida”.
Que Coimbra reerga o seu encanto não apenas na hora da despedida, mas sim em todos os seus momentos.

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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