Opinião: A Lugrade não ardeu. Não há fogo que a possa queimar

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Economia das empresas. Provavelmente extravasarei os limites “normais” que o tema me coloca, mas hoje terei que o fazer. Não por um, mas por vários motivos.

Gerir negócios é complexo, é desgastante. É fácil encontrar adjectivos que nos façam dizer a terceiros que é uma vida pouco recomendável, mas também consegue ser muito enriquecedora e gratificante (e não me refiro à parte monetária da questão).

Enriquecedora e gratificante por nos permitir conhecer pessoas com as quais necessariamente nos relacionamos empresarialmente, mas que pela sua forma de ser e de estar levam a que os passemos a ver como exemplo, levam a que façamos evoluir esse relacionamento também para a esfera pessoal. É-o assim com a Lugrade.

Desde 2010 que a Lugrade é fornecedora, de forma ininterrupta, da empresa que lidero. Nela deposito a confiança de nos fornecer uma matéria-prima fundamental à nossa produção e à qualidade de alguns dos produtos “bandeira” da nossa empresa. São aquilo que gosto de chamar de fornecedores de primeira linha. Da Lugrade, da sua administração e dos seus colaboradores sente-se sempre que um negócio é mais que a simples transacção de um produto. É a quantidade, é o preço, é o timing, é o serviço. É tudo isso, que considero normal, mas é ainda mais. É, no sentido da excepção, um parceiro verdadeiramente preocupado connosco. Interessado em ajudar ao nosso crescimento, partilhando experiências, partilhando contactos, potenciando as nossas oportunidades. É-o assim connosco, sê-lo-á certamente com a generalidade dos seus parceiros.

As empresas são as pessoas. Quando essas pessoas são genuinamente dedicadas, vivem o sonho, mas não se limitam a sonhar e trabalham diariamente para que o sonho se torne uma realidade, então as empresas lideradas por essas pessoas têm tudo para ser grandes. É esse o desígnio dos irmãos Lucas. O Joselito e o Vítor são essas pessoas. Motivados pelo seu sonho, tornaram a Lugrade numa das referências do sector. Cresceram, dinamizaram, inovaram e investiram. Investiram muito, inclusive nas suas instalações. No passado dia 20, um incêndio destruiu por completo o moderno edifício da unidade do bacalhau demolhado ultracongelado da Lugrade em Torre de Vilela. Tal como referem as palavras dos seus administradores, “Um sonho que ruiu” … e como é fácil perceber estas palavras. Quem é que considera sequer a possibilidade de algo deste género poder acontecer? Quantos planos de negócios incluem incêndios ou outras catástrofes como uma ameaça real? Pouquíssimos seguramente.

À Lugrade, aos seus administradores, permitam-me a ousadia de vos corrigir: o vosso sonho não ruiu. O vosso sonho sofreu um duro golpe, é um facto, mas pessoas com a vossa fibra sabem qual o caminho a percorrer e vocês próprios já o referiram: “da destruição das cinzas renascerá uma nova unidade fabril”. Permitam ainda que vos diga que a onda de solidariedade, que é possível perceber, que rodeou a Lugrade após este duro revés, mais não é que o retorno justo daquilo que a Lugrade tem sido e feito para com a sociedade no geral.

Aos amigos Joselito e Vítor Lucas, a todos os colaboradores que compõem a Lugrade, digo-vos também algo que vocês já sabem: A Lugrade não ardeu. Infelizmente ardeu um edifício e isso cria dificuldades adicionais, mas a Lugrade, essa, não há incêndio que a possa queimar. Vocês serão sempre superiores a qualquer ameaça. O futuro encarregar-se-á de o demonstrar.

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve
segundo o novo Acordo Ortográfico.

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