Opinião: Revisão sanitária do PSD

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O projecto de Revisão Constitucional desenhado em 2021 pelo PSD era uma lista de arbitrariedades saída de uma mesa de café onde gente alegre debitava insanidades como se falassem da possibilidade de lhes sair o Euromilhões e depois elencaram aquilo que, naquele momento, lhes pareciam prioridades. No capítulo das generalidades coube espaço ao maléfico e incompreensível acordo ortográfico com desejo de aumentar a terminologia inclusiva. Ninguém na direita quer terminologia onde há género em vez de sexo, onde há um “elos” por vez de eles ou elas. Outra arbitrariedade, nascida de um eructo depois de uma cerveja e uma bifana, foi desejar Presidentes durante sete anos, prolongando mandatos à moda dos de Maduro, Putin, Erdogan e Ping. Este PSD que se entrega à revisão constitucional é de “esquerda caviar”! É um PSD dos oligarcas de discurso popular.
O mais grave é a vontade de fazer uma lei de emergência sanitária que pode condenar pessoas por desobediência, que pode restringir liberdades, que pode criar obrigações arbitrárias e perigosas. Encontrar razões que permitam a privação de liberdade ou confinamento, ou internamento por razões de saúde pública “decretado ou confirmado por autoridade judicial competente”, uma forma de resolver problemas jurídicos que surgiram durante a pandemia de covid-19. Esta ideia é uma baliza que jamais teríamos testemunhado no PPD ou no PS de 1975.
Se um dia alguém desenhar uma constituição suportada na convicção de que os extremistas nunca chegarão ao poder, uma manhã acordam com as suas vidas suspensas pelas leis que fizeram e agora alguém vai aplicar sobre eles próprios. Chama-se comer do próprio fel.
Não podemos esquecer que a ciência e sobretudo a indústria farmacêutica já teve inúmeros desaires e já produziu enormes aberrações medicamentosas. Esquecer a Talidomida é negacionismo. Negar os efeitos secundários das Estatinas é mentir. Negar as mortes que estamos a infligir com os anticoagulantes é mediocridade. Há um peso estatístico que não é científico para o uso de muitas “evidências”. Mas a realidade é muito mais complexa que a numeração e a comparação de amostras. A evidência de hoje é uma contabilidade estatística – uma comparação de duas amostras – uma que faz e outra que não, uma a quem se aplica e outra a que não. Tem o mérito da verdade do momento, mas tem inúmeras variáveis incontroláveis. Outros universos escolhidos poderiam dar resultados diferentes.
Imaginem que um fármaco novo passa todos os testes e se distribui de modo facilitado. Até se lhe faz propaganda! Imaginem que quando passa à utilização massiva afeta os que já tinham prescrito um outro fármaco. Juntos eles matam. Já houve casos destes. Imaginem que o novo fármaco provoca insuficiência hepática aos diabéticos. Eleitos secundários possíveis, mas inesperados, na escala acontecida. Porra! Retira-se do mercado! As vítimas já não contam. Imaginem que ele se acumula na gordura humana lentamente, não sendo eliminado como previsto. Dez anos depois aquela acumulação vai afetar milhões. Uppss! Ainda bem que nem todos beberam daquela poção. Por este princípio de cautelas nunca devemos apostar todas as fichas em medicamentos novos como se fossem milagres.

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