Opinião: Recuperar o brio

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Decorreu no Casino Estoril, no passado dia 26 de Novembro, um jantar de gala e espectáculo promovido pela Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra em Lisboa para assinalar o 102.º aniversário da “Tomada das Bastilha” (quando um grupo de 40 alunos da Universidade tomaram de assalto o “Clube dos Lentes”, para ali instalar a Associação Académica).
Participaram mais de duas centenas de antigos estudantes de Coimbra, muitos dos quais reputadas figuras públicas em diversos sectores de actividade – como mostrou o Diário As Beiras em reportagem que publicou no passado sábado.
Entre esses notáveis, quero aqui destacar um nome que pouco dirá a muitos dos mais novos, mas que certamente é bem familiar para a maioria dos mais velhos, sobretudo os adeptos da Académica. Refiro-me a Jorge Humberto, com quem tive o gosto de partilhar o serão, juntamente com a Marinela e o Francisco Saint Aubyn (Presidente da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra no Algarve).
Agora com 84 anos, Jorge Humberto foi um dos mais reputados futebolistas da Académica.
Começou a jogar futebol na Associação Académica do Mindelo, na Ilha de S. Vicente (Cabo Verde), onde nasceu. Quando acabou o ensino secundário veio para Coimbra, matriculou-se em Medicina e passou a jogar na Académica, onde depressa conquistou lugar na equipa principal, a par com outros excelentes jogadores-estudantes (como Manuel António e os irmãos Mário e Vítor Campos, para citar apenas alguns dos que também vieram a licenciar-se em Medicina).
As qualidades demonstradas por Jorge Humberto levaram a que fosse chamado à Selecção Nacional, onde se impôs como goleador, atraindo atenções no estrangeiro.
De tal modo que viria a protagonizar a primeira grande transferência internacional do futebol português, em 1961, quando o famoso Inter de Milão o veio contratar à Académica. Apesar do êxito em Itália, três anos volvidos preferiu regressar a Coimbra, concluir o seu curso de Medicina e voltar a jogar na Académica, onde foi Vice-Campeão Nacional na época de 1966/67 – a melhor classificação de sempre da “Briosa”.
Exactamente a situação oposta à que hoje se assiste, quando a Académica ocupa a sua pior posição de sempre…
Eu pouco percebo de futebol, não sei o que conduziu a tão prestigiada Académica até esta indesejável posição, quase humilhante à escala nacional, a par com uma situação económico-financeira muito problemática. O que sei é que a Académica faz falta ao futebol português, continuando a ser o clube que mais goza de generalizada simpatia em todo o País.
Tal como sei que a Coimbra faz falta uma Académica de Primeira Divisão.
Não vale a pena perder tempo e gastar energias a criticar o que está para trás.
Importa, isso sim, buscar inspiração em exemplos como o de Jorge Humberto e tantos outros notáveis jogadores, treinadores e dirigentes que tanto prestigiaram a Académica ao longo de sucessivas gerações. É urgente mobilizar vontades e angariar meios para conseguir arrancar a Académica do pântano onde está caída.
Para que a Académica, agora a celebrar o centenário, recupere o estatuto e honre os seus pergaminhos, voltando a ser, de pleno direito, verdadeiramente Briosa!

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