Perito diz que local do golpe que matou jovem na Figueira da Foz pode ter sido acidental

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Um médico-legista afirmou hoje em tribunal que o jovem da Figueira da Foz que morreu em 2021 na sequência de um confronto com a namorada poderá ter desviado a faca para a perna, o que se revelou fatal.

O perito falava no início do julgamento que começou hoje, no Tribunal de Coimbra, em que uma jovem de 22 anos responde por um crime de ofensa à integridade física, que levou à morte do namorado, a 07 de março de 2021, causada por um golpe profundo de uma faca na perna da vítima, durante um conflito físico entre o casal.

Segundo o médico-legista José Pinheiro, o golpe perfurante (de cerca de dez centímetros na coxa da vítima, atingindo a veia femoral e causando a morte do jovem de 23 anos) terá sido feito de “cima para baixo”.

Questionado pela defesa, o perito admitiu que é possível que o namorado da arguida tenha agarrado o pulso da jovem quando esta empunhava a faca, tendo desviado o sentido do ataque, visto ser mais alto e mais forte que a namorada.

“A minha interpretação é que, neste movimento, que é dinâmico, a mão [da vítima] que agarrou [na mão da arguida] usou a força para se defender e acabou por usar essa força para espetar a faca” – resultando numa combinação do movimento e força aplicada pelos dois, vítima e arguida -, referiu, sublinhando que não sabe se o jovem conseguiu dominar a arguida, “mas conseguiu desviar o trajeto da faca”.

O perito considerou ainda pouco provável que tivesse havido uma disputa pela faca (não há sinais de quaisquer ferimentos de defesa) e afirmou que a hipótese mais verosímil quanto à posição dos arguidos quando a faca perfura a perna da vítima é ambos estarem de pé.

Questionado pelo presidente do coletivo, Miguel Veiga, sobre se o excesso de álcool poderia ter influenciado a força do ofendido no momento do conflito, José Pinheiro salientou que tal situação afetaria mais “a capacidade de perceção e reação” e não a força.

No início do julgamento, Miguel Veiga avisou quem assistia ao julgamento que não iria tolerar qualquer tipo de manifestação dentro da sala de audiências.

A arguida, que entrou a chorar na sala de audiências, começou por intervir, mas rapidamente interrompeu, mostrando grandes dificuldades em falar.

O juiz optou por ouvir as restantes testemunhas e dar a opção à arguida para falar no final, caso conseguisse estar mais calma.

Ao longo da audiência de várias testemunhas, foram diversos os momentos em que a arguida chorou.

Após todas as testemunhas serem ouvidas, a advogada de defesa pediu para falar com a sua arguida, que ainda estava visivelmente emocionada, tendo saído as duas da sala de audiências por breves momentos.

Nesse instante, fora da sala, a agência Lusa viu familiares da vítima dirigirem-se à arguida e à mãe desta, confrontando-as, mas não foi possível perceber o que foi dito.

Após esse breve confronto, Miguel Veiga decidiu adiar a intervenção da arguida para uma nova sessão, marcada para 24 de novembro, às 14:45, decorrendo depois as alegações finais do processo.

Hoje de manhã, foi também ouvido o pai da vítima, também visivelmente emocionado durante o seu depoimento, referindo que apenas teve conhecimento de uma situação em que o casal se tinha desentendido.

A testemunha questionou ainda o porquê de a arguida não ter ligado para o 112 (fez chamadas para o pai da vítima e para o Hospital da Figueira da Foz).

Também uma inspetora da PJ notou que a arguida “teve uma margem de tempo” para socorrer o namorado, após o golpe, tendo até “feito outras coisas”, como limpar o sangue do chão.

Já a mãe da arguida salientou que desde que a jovem passou a namorar com a vítima deixou de a ver, assumindo que queria muito que o casal se separasse.

“Achava que, naquele relacionamento concreto, o amor só não chegava. Gostavam muito um do outro, mas isso só não justificava a união entre aquelas duas pessoas”, disse, considerando que o jovem tinha domínio sobre a sua filha, que deixou de contactar com amigas e família.

Já uma amiga e prima da arguida recordou os primeiros meses após o alegado crime, referindo que a arguida estava “cheia de ansiedade, traumatizada, não dormia e chorava a noite toda”.

“Até hoje, ela não está bem e acho que vai demorar muito até isso poder algum dia acontecer”, notou.

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