Investigadora documenta fado mandado da região da Lousã

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A professora da Escola Superior de Educação do Politécnico de Leiria Marisa Barroso realizou uma investigação sobre o fado mandado da Lousã, procurando documentar e valorizar aquela dança tradicional.

A investigação começou há cerca de ano e meio através do projeto “De volta aos bailes mandados em Portugal”, da PédeXumbo – Associação para a Promoção da Música e da Dança, premiado pelo programa “Tradições”, da EDP.

Ao longo do projeto, Marisa Barroso procurou documentar e registar aquelas que serão as principais características do fado mandado da região da Lousã, mas também dinamizar várias oficinas de dança em torno daquela prática, por forma a valorizá-la, a última das quais irá decorrer na sexta-feira, pelas 21:00, no Lagar Mirita Sales, naquele concelho do distrito de Coimbra.

“O fado mandado, ao contrário de muitas danças mandadas, tem mandos muito diretos e muito pouco de código. Nas valsas mandadas, tudo o que o mandador diz quer dizer outra coisa, no fado mandado da Lousã, não”, disse à agência Lusa a investigadora e docente da área da dança.

Enquanto a música toca, o mandador, que está incluído na roda, assume o poder de liderança da roda, com perceção do tempo da música e capacidade de execução do grupo, podendo incutir mais ou menos energia na dança, explicou.

Marisa Barroso contactou os ranchos locais, que continuam a fazer fado mandado, mas também com pessoas que tiveram um contacto com o fado mandado ao longo da vida ou que têm uma sensibilidade para as questões do património imaterial da região.

Uma dessas pessoas foi António Aires, hoje com 82 anos, e que começou a tocar concertina ainda muito jovem e que “viu os verdadeiros fados mandados”, referiu Marisa Barroso, recordando ainda a ajuda que teve de quem viu os seus pais a dançar os fados mandados.

“Fui juntando as peças com diferentes agentes e tirando dúvidas. Fizemos sessões de formação com pessoas da Lousã, apresentava o que tinha analisado e as pessoas davam os seus contributos”, aclarou Marisa Barroso.

Segundo a investigadora, o mandador “era uma personagem muito grande da Lousã”, mais importante até do que o juiz, “porque era uma dança muito querida” na região – simples, de ritmo lento e fácil de acompanhar.

Para a investigadora, é fundamental assegurar continuidade a esta dança, considerando que o problema na Lousã, tal como noutras regiões, estará nas gerações intermédias, que estão menos ligadas a esta dança.

“As gerações com 30, 40 e 50 anos tiveram uma quebra muito grande e criou-se uma certa distância”, notou, realçando, porém, que o fado mandado continua a ser praticado na Lousã.

No âmbito do projeto, será também desenvolvido um desdobrável sobre o papel do mandador e dos mandos da dança, referiu a investigadora, realçando o envolvimento da comunidade no projeto coordenado por Sophie Coquelin.

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