Empresários de Coimbra lamentam que prioridade do Governo seja encurtar semana

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A Associação Empresarial da Região de Coimbra mostrou-se hoje surpreendida por, numa altura em que se perspetivam dificuldades para as empresas portuguesas, o Governo colocar na agenda mediática a discussão sobre a semana de trabalho de quatro dias.

“Nesta altura, trazer para a discussão um problema desta natureza é a demonstração cabal do desconhecimento da realidade das empresas portuguesas”, considerou a Associação Empresarial da Região de Coimbra (NERC), num comunicado hoje divulgado, intitulado “Semana de trabalho de quatro dias – a morte prematura de uma boa ideia”.

A NERC lembrou que se vive um tempo “em que as empresas estão a ser confrontadas com um galopante aumento de preços dos seus consumos intermédios, sobretudo dos combustíveis”, e com “uma forte subida das taxas de juro”.

É neste contexto que os empresários são “surpreendidos com uma política experimental – as experiências-piloto – que mais não serve do que esconder os verdadeiros problemas que preocupam as empresas e o país”, lamentou.

Segundo a NERC, as empresas ainda vivem “as consequências dos efeitos da pandemia covid-19 e da guerra na Ucrânia”, que se traduzem numa “lenta recuperação”, e, além disso, há perspetivas de uma crise em 2023.

“O Governo, em vez de ajudar as empresas a atenuar os seus custos, sobretudo os energéticos, anuncia medidas sombrias ao normal desenvolvimento da atividade económica. Em vez de se preocupar em contribuir para que os fundos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) sejam aplicados e também cheguem às empresas portuguesas, verificamos que a grande preocupação do Governo, de momento, são os quatro dias de trabalho na semana”, criticou.

No seu entender, “as empresas precisam de medidas estruturais, que permitam trajetórias ascendentes, precisam de estímulos, de discernimento político, precisam que o Governo distinga o principal do acessório”.

“Nesta altura de exequibilidade duvidosa, mais parece o contributo para um anúncio de um nado-morto”, considerou.

Neste âmbito, a NERC deixou um apelo às empresas para que “sejam firmes na resposta à proposta do Governo” e “não pactuem com medidas desta natureza neste tempo de grandes dificuldades”, pedindo-lhes que, “perentoriamente, recusem sentar-se à mesa de negociação para este efeito”.

“Participar é alimentar a visão míope do Governo”, alertou, garantindo que a NERC se recusa a participar “em cenários fantasiosos que mais não são do que formas habilidosas de fazer esquecer os principais problemas com que as empresas e o país se confrontam”.

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