Coimbra em Blues com britânicos The Animals e concerto que vai do fado ao blues

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A edição deste ano do Coimbra em Blues vai contar com um concerto dos britânicos The Animals, com o baterista da formação original, e um espetáculo que procura pôr em diálogo o fado e o blues, foi hoje anunciado.

O Coimbra em Blues, que se realiza entre 09 e 10 de dezembro no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), vai contar com a presença da banda britânica The Animals formada nos anos 60, na altura liderada por Eric Burdon.

Conhecida pela sua versão de “The House of The Rising Sun”, a banda apresenta-se em Coimbra com o baterista original do conjunto, John Steel, hoje com 81 anos, assim como com Mick Gallagher, que se juntou aos The Animals em 1965, tendo também integrado o grupo de rock The Blockheads e participado em alguns dos The Clash.

“É uma das bandas míticas do blues rock europeu, com grandes clássicos. Todos os guitarristas ou aspirantes a guitarristas aprenderam a tocar com a “House Of The Rising Sun”, disse à agência Lusa Adalberto Ribeiro, responsável pela programação do Coimbra em Blues nos anos mais recentes.

O grupo toca no dia 10, pelas 23:00, depois de um concerto dos portugueses Peter Storm & the Blues Society.

O festival começa a 09 de dezembro com uma atuação de Archie Lee Hooker, sobrinho de uma das maiores referências do blues norte-americano dos anos 50 e 60, John Lee Hooker, músico fundamental na eletrificação do ‘Delta blues’.

Na mesma noite, pelas 23:00, haverá um concerto que parte de uma pergunta: “E se B.B. King e Carlos Paredes se juntassem numa ‘jam session’ [uma espécie de concerto à base do improviso]?”.

Esse foi o desafio que Adalberto Ribeiro lançou aos guitarristas Budda Guedes, Frankie Chavez e Guilherme Catela.

“A ideia é perceber que papel poderá ter a guitarra portuguesa dentro do ‘blues’ e que papel a guitarra elétrica poderá ter na obra do Carlos Paredes. São dois tipos de música popular, que nasceram na lama do povo. Vai ser uma surpresa”, realçou.

Em palco, estará um trio de blues – Vasco Moura (baixo), Nico Guedes (bateria) e Budda Guedes (guitarra) -, aos quais se juntam Guilherme Catela (guitarra portuguesa) e Frankie Chavez.

“Em tudo o que é blues, iremos introduzir a guitarra portuguesa, e em tudo o que é Carlos Paredes iremos introduzir o blues. Queremos aproximar os dois universos e mostrar que não são nada distintos”, salientou Budda Guedes.

Para tal, o músico aponta para uma frase do conhecido compositor de blues Willie Dixon: “Blues is the roots, the rest is the fruit [o ‘blues são as raízes, o resto é a fruta]”.

“O ‘son cubano’, a morna, o fado são também géneros que vêm do povo e há paralelismos que se podem encontrar entre os estilos. O blues tem muito aquela ideia de “quem canta seus males espanta”. Este exorcizar as dificuldades é transversal a todas as músicas de raiz”, sublinhou Budda Guedes, que considera que a estrutura harmónica entre fado e blues acaba por ser muito semelhante.

“São estilos irmãos sem saberem que o são”, notou.

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