Câmara da Figueira da Foz admite intervir na Cova e no Cabedelo

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DB/Foto de Jot’Alves

A agitação marítima dos últimos dias arrastou areia e pedras para a estrada da Praia do Cabedelo (ver edição de ontem) e destruiu parte da já débil duna primária da Praia da Cova. O executivo camarário admite poder vir a fazer intervenções que visem a proteção de pessoas e bens, enviando, depois, a fatura à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), avançou o vereador Manuel Domingues ao DIÁRIO AS BEIRAS.
“A situação na Cova é ainda mais grave do que no Cabedelo. No Cabedelo, com algum cuidado, ainda vamos tendo alguma proteção; aqui [na Praia da Cova], se o mar continuar a subir como tem subido nestes dias, a situação torna-se quase insustentável”, defendeu o edil. Por outro lado, advogou que “o Estado e a APA têm de assumir a responsabilidade do que está a acontecer aqui”.
Manuel Domingues acrescentou que “o município vai tomar uma posição junto da APA”. E, sustentou: “Se a APA não tiver disponibilidade para vir aqui fazer qualquer coisa, terá de ser o município, dentro das suas possibilidades, fazer alguma coisa, enviando-lhe depois a fatura”. Até porque, apontou, “o que está à vista não será fácil, mas tem de ter uma solução, nem que seja precária, para a água não galgar as dunas e atingir a zona habitada [da Cova]”. Para o vereador, a solução passa pela reposição de areia na praia.

Água tem de seguir para a foz
O vereador Manuel Domingues, dois técnicos da APA e uma técnica da autarquia figueirense deslocaram-se, ontem, àquelas duas praias da freguesia de São Pedro, na margem sul da Figueira da Foz. O autarca já lá havia estado no fim de semana, para verificar os efeitos do avanço do mar.
No Cabedelo, uma vez mais, o mar arrastou pedras e areia para a estrada, que a câmara municipal se preparava, ontem à tarde, para desobstruir. Mesmo sabendo que, a qualquer momento, o cenário poderá repetir-se, já que a agitação marítima continua. Elevar a via rodoviária junto à zona de galgamento poderá ser uma das soluções para permitir que a água possa ser seguir para a foz.
“O problema [no Cabedelo] será também de financiamento. A ideia é [encontrar uma solução] que permita que a água passe sem ter o travão do muro do porto de pesca. A breve prazo, terá de se minimizar a situação, para evitar que as ondas possam pôr em causa a segurança de pessoas e bens”, disse ainda Manuel Domingues.
Uma questão
de tempo e de água
Há vários anos que a Praia da Cova, a sul do quinto molhe, sofre com as investidas do mar, que vêm destruindo a duna primária. Os cilindros de geotêxtil, colocados em frente à duna, estão a ser destruídos. Neste caso, também devido à ação humana, já que há banhistas que, na época balnear, os perfuram para fixar guarda-sóis.
A erosão costeira, na Figueira da Foz, também afeta a Costa de Lavos e a Praia de Leirosa. Mas é na Cova onde desaguam as maiores preocupações. Nesta praia, quando há agitação marítima, o mar fica cada vez mais perto das habitações. Se nada for feito para travar o avanço das ondas, receia-se que seja uma questão de pouco tempo e de muita água para o Oceano Atlântico entrar na zona residencial.

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