Académica: O dia em que correu tudo bem

DR/Pedro Ramos

Zé Nando tinha dito que faltava uma vitória para que os jogadores pudessem mudar o chip e quem viu os últimos 10 minutos do encontro com atenção percebeu que parecia outra equipa a jogar. Não que os intervenientes fossem outros, ou que tivesse tido tempo para mudar muita coisa no jogo da Académica, mas bastou mudar uma coisa para que tudo corresse melhor: a confiança.
Zé Nando fez entrar a equipa num esquema de 1x3x5x2 que não era inédito, mas com Paciência e Nketia a jogarem mais próximos um do outro na frente de ataque e a abrirem espaços para a entrada de Teles e Brás ou mesmo dos alas Stitch e Seco. Não terá sido por aqui que a Académica ganhou o jogo, mas o que é certo é que o V. Setúbal tardou a acertar com as marcações e, logo aos 2’, podia ter sofrido o golo, mas Diogo Costa não conseguiu o desvio após cabeceamento de Nketia.
As bolas paradas foram determinantes nos primeiros minutos e, aos 15’, David Teles, da direita, bateu um “canto de mangas arregaçadas” para o desvio nas alturas do imponente Benny.
A Académica estava a vencer, algo que não acontecia desde a 2.ª jornada, quando averbou o único triunfo, com golo de Diogo Costa… mais uma bola parada.
Bom prenúncio na reta inicial da partida, mas pouco tempo duraram os festejos. Hugo Seco podia ter feito o segundo, pouco depois, mas, depois de estar no melhor, acabou ligado a um dos piores momentos do jogo e sem gande culpa no cartório.
Aos 18’ Lourenço Henrique estava a progredir e Hugo Seco meteu o pé. A falta valia um cartão amarelo mas o áritro puxou do vermelho sem apelo nem agravo e matou, logo ali, todo o elan positivo que tinha criado à volta da equipa.
O que é certo é que a equipa uniu-se, David Brás passou para a ala direita e, mesmo com 10, os estudantes não recuaram do meio-campo adversário.
Aos 24’, Nketia serviu David Teles e fez levantar o estádio, mas o remate saiu em desequilíbrio e muito por cima.

Árbitro tirou com uma mão e deu com a outra
Estavam os adeptos todos da Académica ainda a pensar como é que a equipa iria aguentar mais de uma hora a jogar em desvantagem numérica quando Marco Cruz resolveu o problema. François viu o segundo amarelo e as forças reequilibraram-se.
O que é estranho é que, a jogar 10 contra 10 os sadinos cresceram e Gabriel Lima podia ter feito o empate. Valeu Hidalgo a fazer a mancha.
Na resposta, o alívio: mais um “canto” da direita, David Teles a cruzar para a área, Fábio Pala, no vértice direito da pequena área desvia e, ao segundo poste, Diogo Costa aparece a encostar para o 2-0 e a tornar-se no melhor marcador da Briosa.
Ao intervalo, a vencer por dois de diferença pela primeira vez na temporada, os adeptos desconfiavam da esmola e pior, viram o V. Setúbal entrar na 2.ª parte decidido a mudar o rumo dos acontecimentos.
Gabriel Lima ia tentando do lado esquerdo, como podia, e a Académica teve de sofrer para aguentar a baliza a zeros.
Do outro lado as bolas paradas faziam mossa. Aos 70’, Vasco Paciência fez o primeiro remate digno desse nome na 2.ª parte e Rafael Alves defendeu para canto. David Teles a servir e Benny a desviar – onde é que isto já se viu – e quase nasce o 3-0 para a Briosa.

Belo lance para o 3-0
Numa altura em que o V. Setúbal carregava e tentava o tudo por tudo, descompensado, permitiu o contra-ataque à Académica que se revelou mortífero por intermédio de Vasco Gomes.
O médio entrou em jogo, muitos pesaram que para dar músculo ao meio-campo, mas a verdade é que surgiu cheio de “ganas” ofensivas.
Sadinos apanhados em contra-pé, fica um jogador visitante caído no relvado, Nketia ainda pensou se parava o jogo ou seguia, mas laçou David Teles na direita que entregou a bola a Vasco Gomes de bandeja. O médio não se fez rogado e atirou forte e colocado para o 3-0.
A goleada só não foi maior porque David Brás, aos 85’, a aparecer em terrenos que não são os seus, cabeceou ao lado dentro da pequena área. Era um dia em que dava, mesmo, para tudo.

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