Opinião: Largo do Lilau

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Após sinuosas ruas, extenuantes subidas íngremes e desafiantes bermas dignas de equilibrismo, o desafogado e pitoresco Largo do Lilau surge como elixir aos sentidos. Considerada uma das primeiras zonas residenciais dos portugueses na região, o Largo é parte integrante do Centro Histórico de Macau, inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 2005. O topónimo Largo do Lilau, em chinês Á P’ó Cheng Chin Tei
é relativamente recente. Até 1995 o espaço era conhecido por Bica, Fonte do Lilau, ou simplesmente Lilau, em chinês Yân T’âu Cheng . Excelente exemplo de fusão de conceitos urbanísticos e arquitectónicos, a zona do Lilau é circundada por edifícios de traça colonial com apontamentos de influência Art Deco, que contrastam com edifícios de arquitectura tradicional chinesa. O Largo refresca-se, até aos dias de hoje, à sombra de três imponentes árvores de pagode, e o quiosque do Lilau serve a população com deliciosos petiscos e reconfortantes bebidas. Desenvolve-se em torno de uma nascente natural usada, na época colonial, para o fornecimento de água. A água subterrânea do Lilau foi, em tempos, a principal fonte de água natural em Macau.
Na comunidade macaense dizia-se antigamente que “Quim bebê água do Lilau, nádi esquecê Macau, quim bebê da bica lô casa e volta para Macau” em patuá, língua crioula local, que significa “Quem beber água do Lilau nunca esquecerá Macau, quem beber da bica casa e volta a Macau.”
Seja com um gelado e doce chá de limão saboreado na sombra de uma das árvores do largo, ou com um molhar de lábios na fresca água da fonte do Lilau, Macau torna-se impossível de esquecer tanto para quem a visita como para quem por cá viveu. Assim, até pode acontecer nunca regressar a Macau, porém “nádi esquecê Macau”.

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