Entrevista: A última lição de um reitor

DR/Ana Catarina Ferreira

O que podemos esperar da sua última lição “Encontro das Águas”?
O “Encontro das Águas” é um fenómeno interessantíssimo que acontece com vários rios da Amazónia, o mais conhecido na confluência do rio Negro e do rio Solimões – durante mais de 200 ou 300 quilómetros, os dois rios vão lado a lado sem se misturarem. “Encontro das Águas” é um nome bonito: encontro porque é o encontro das pessoas; água porque é o motivo principal do meu percurso enquanto professor universitário, pelo menos no plano da docência e da investigação. O que é que podemos esperar? Talvez uma hora de convívio. Não acredito que se vá aprender o quer que seja, a não ser aquilo que podemos aprender uns com os outros todos os dias.

Foi reitor num período em que decorreram as principais reformas do ensino superior. O que destaca dessa época?
Foram, de facto, anos intensos. De 2007 a 2010, foram os anos de todas as reformas e eu, nesse período, fui também presidente do CRUP. Portanto, vivia-as por dentro. Destaco a vontade de mexer no ensino superior – que era necessário fazer –, destaco o sucesso de algumas medidas, nomeadamente na área da investigação científica e da construção de um sistema científico de qualidade de que nos podemos orgulhar. Destaco negativamente a atitude meio pombalina do ministro Mariano Gago no que diz respeito à reforma universitária. Ele procurou fugir o mais possível à opinião da universidade, dos universitários, construindo a sua grande reforma do ensino científico, basicamente à custa da suborçamentação das universidades. Sendo ele o ministro das duas pastas, foi-lhe mais fácil tirar de um lado para o outro, do que estender a mão ao ministro das Finanças, coisa que provavelmente na altura não teria conseguido fazer com resultados tão positivos. Se retirou 300 milhões à universidade, deu 300 milhões à ciência. É bom que tenha sido para ali porque ficámos com alguma coisa, mas é mau que tenha sido à custa das universidades.

Já que fala de reformas também houve o processo de Bolonha…
Sim. O Processo de Bolonha, o RJIES, o enquadramento da Agência de Avaliação e Acreditação, o desempenho dos docentes e não docentes… Eu tenho isso elencado e, provavelmente, nos primeiros dias de dezembro vou fazer lançamento de dois livros dos discursos enquanto reitor. É uma tradição e eu não quis fugir a ela. Vou deixar isso escrito e publicado e nessa ocasião penso que será mais adequado falar do meu percurso enquanto reitor.

Mas há tanto que falar: por exemplo a construção do Polo II deveu-se, em parte, a si.
No Polo II, alguns edifícios terminaram comigo, mas não foram lançados por mim. Foram lançados por um grupo de pessoas que suponho ser justo salientar em primeiro lugar: os nomes de Dias Urbano, Sá Furtado e Teresa Mendes. Quando apanhei o processo, estes edifícios principais estavam quase todos lançados ou em vias disso. Foi-me fácil terminá-los. Juntei-lhes alguns outros mais pequenos como, por exemplo, a Casa das Pedras, Unidade Pedagógica Central… Enfim, complementei dentro daquilo que era possível e com os financiamentos disponíveis.

Ler entrevista completa na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS em 13/10/2022

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