Opinião: Repensar o turismo num mundo e sociedade(s) em ebulição

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Comemorou-se na passada terça-feira, 27 de setembro, mais um Dia Mundial do Turismo, este ano sob o tema “Rethinking Tourism / Repensar Turismo”, muito a propósito na conjuntura que vivemos. O tema anual das comemorações deste dia tão especial é definido pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que como se sabe é a agência especializada da Organização das Nações Unidas que tem como missão a promoção e desenvolvimento da atividade turística, em todas as suas vertentes, a nível global.
Ainda que o tema proposto para este ano pela OMT seja especialmente premente no período histórico que vivemos, pensar e refletir sobre turismo, com as necessárias propostas de ação no curto, médio e longo prazos, deve ser uma atitude permanente dada a importância deste setor para as economias nacionais, nomeadamente pela sua transversalidade, pois relaciona-se com todos os outros setores de atividade (comércio, indústria, imobiliário, construção civil, serviços, entre outros), quer de forma direta, quer de forma indireta, sempre com forte influência e impactos.
No nosso país, e com iniciativas diversas, aceitou-se o repto para aquela reflexão, destacando-se a realização da VI Cimeira da Confederação do Turismo de Portugal, a que tive oportunidade de assistir in loco, que adotou o título de “O Turismo e o Novo Mundo” (ou mundo novo, diria também). Um título que assume, de facto, que estamos a viver um momento histórico particular, marcado por incertezas várias para todos os agentes do setor (Estado, empresas, associações), causadas pela “ressaca” da pandemia, a guerra na Ucrânia, a inflação galopante e consequente impacto nos consumos das famílias e no investimento das empresas, a falta de materiais e equipamentos diversos, a escassez de recursos humanos qualificados… ou mesmo não qualificados e sem experiência. Mas não foi por isto (que não é nada pouco!) que se deixou de enaltecer a relevância do setor do turismo para a economia e para as sociedades, os efeitos positivos de alavancagem que o setor representa ao ser aquele que, ainda que muito penalizado pelas sucessivas crises, é o primeiro também a melhor reagir e a apresentar resultados de retoma em franco crescimento. Veja-se o caso de Portugal, que este ano vai já apresentando valores superiores aos verificados no período pré-pandemia, ou seja, 2019, até então o melhor ano turístico de sempre, nas variáveis fundamentais quando queremos conhecer estes resultados: nº de dormidas, nº de hóspedes, receitas totais. Os dados do Instituto Nacional de Estatística e do Turismo de Portugal disso nos dão conta e podem ser consultados online facilmente.
Aquelas reflexões incluíram ainda um outro tipo de exercício, sempre necessário quando pensamos e refletimos sobre turismo, para melhor planear, organizar e agir. São os limites, ou limitações da atividade, muito sujeita a críticas também, dadas as questões ligadas aos impactos sobre o ambiente, a gentrificação das cidades/pressão imobiliária e a pouca valorização social e económica das profissões da hotelaria e da restauração. O setor assume estas críticas e sobre estes problemas está a trabalhar, pois sustentabilidade ambiental, social e económica, a par com os desafios e caminhos da digitalização, valorização das profissões, cuidados das pessoas (clientes, trabalhadores, residentes), são os pressupostos fundamentais sobre os quais se pretende que assente toda a atividade turística global nos próximos tempos. Mais Turismo, Melhor Turismo!
Falando nos próximos tempos e nos cenários geoestratégicos muito pouco animadores que se perspetivam no já referido novo mundo, ou mundo novo, com a guerra na Ucrânia como principal elemento desestabilizador da ordem mundial, não gostaria de terminar este texto, mais uma vez recorrendo ao simbolismo da data de 27 de setembro, sem lembrar uma das expressões pelas quais a atividade turística é também conhecida: a “Indústria da Paz”. Ou seja, uma atividade que aproxima culturalmente os povos, todos os povos, e que pode contribuir, como poucas, para a exaltação da Humanidade. Bem precisamos.

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