Entrevista: “Pandemia veio mostrar que podemos poupar muitos recursos se colaborarmos”

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Arquvio

Neste período pós-pandemia, quais são as principais preocupações e desafios que se colocam aos farmacêuticos?
Acima de tudo procuramos regressar à normalidade. Por exemplo, neste momento estou em Sevilha, num congresso mundial, onde partilhamos experiências importantes de todo o mundo e, sem dúvida, que isto faz crescer as profissões da área da saúde. Nós já não participávamos presencialmente neste tipo de eventos há muito tempo e este foi só um pequeno exemplo. Neste momento, estamos muito preocupados em lutar por várias situações que são cada vez mais urgentes. Por exemplo, o acesso aos dados de saúde dos utentes. Hoje, grande parte dos farmacêuticos hospitalares já consegue aceder aos dados clínicos dos utentes, mas alguns ainda não conseguem e os farmacêuticos comunitários também não. Os dados que os farmacêuticos comunitários têm dos utentes, infelizmente, são só aqueles que registam nos nossos sistemas informáticos, nas nossas farmácias. E isto impossibilita muitas vezes trabalhar de uma forma mais efetiva, mais interdisciplinar.

O acesso aos dados clínicos é fundamental?
Vou dar um exemplo muito concreto. Um utente pode estar polimedicado, compra medicamentos em variadíssimos sítios e ainda recebe medicamentos em âmbito hospitalar, por exemplo, se for um doente oncológico. O colega farmacêutico que está no hospital tem acesso aos dados clínicos, o que é fundamental para acompanhar aquele doente e fazer a gestão da medicação. Mas quando o doente chega à farmácia comunitária, e até pode ser para levantar lá um medicamento que foi enviado pelo hospital, o farmacêutico, exatamente com o mesmo curso que o colega, já não tem acesso a esses dados, e se precisar de aconselhar, por exemplo, um suplemento, umas vitaminas, não tendo acesso a todo ao seu registo clínico, fica limitado para fazer esse trabalho e muitas vezes tem que encaminhar novamente este doente para o hospital. E essa questão poderia ser logo resolvida pelo farmacêutico comunitário, se tivesse acesso aos dados clínicos.

Quanto à carreira farmacêutica, esperam que arranque no início do próximo ano?
Temos também a preocupação relativamente à questão da carreira farmacêutica, que esperamos arranque efetivamente no próximo ano. Os nossos colegas que trabalham nas áreas da farmácia hospitalar e nas análises clínicas, no Serviço Nacional de Saúde, já estão envolvidos há imenso tempo em trabalhos para desenvolver esta carreira. Esta carreira já demorou mais de duas décadas a ser criada e agora tem um atraso de quatro anos na sua regulamentação. Isto infelizmente criou algumas situações desiguais entre colegas. Neste momento já está concluído o concurso, isto é, o acesso a esta carreira que nós chamamos de residência farmacêutica e vai-se iniciar em janeiro próximo, e esperamos que desta vez avance com a valorização que os farmacêuticos precisam e estão à espera.

Ler entrevista completa na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS em 26/09/2022

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