Associação Académica de Coimbra alerta para aumento dos preços do alojamento

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O líder da Associação Académica de Coimbra (AAC), João Caseiro, alertou hoje que o aumento dos preços do alojamento para estudantes na cidade poderá contribuir para um “abandono massivo” do ensino superior.

No mercado do arrendamento, os preços são cada vez mais “incomportáveis para o bolso dos estudantes e suas famílias”, disse João Caseiro, na abertura solene das aulas da Universidade de Coimbra (UC), ao advertir para o risco de haver, no futuro, uma instituição de ensino pública, mas “mais elitista”.

“O valor médio do arrendamento de um quarto aumentou cerca de 10%. O grande leque da oferta de alojamento em Coimbra reside ainda no mercado de arrendamento, onde o valor médio das rendas ronda agora os 270 a 290 euros”, afirmou.

Para o presidente da direção-geral da AAC, “falta resposta ao desregulado aumento de preços no arrendamento de quartos e casas” para os alunos.

“Se nada for feito, previsivelmente teremos uma crise terrível nos próximos anos, com um abandono escolar massivo”, o que irá “chocar com o princípio basilar de assegurar um ensino superior para todos e tornando a Universidade mais elitista, apenas acessível àqueles que poderão suportar os custos”, afirmou.

No início da cerimónia, o reitor da UC, Amílcar Falcão, lembrou que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a Universidade “assinou já os contratos para a requalificação de duas residências e a construção de mais outras duas”.

Trata-se de um investimento que ronda os 12,5 milhões de euros (ME), “com um acréscimo líquido de cerca de mais 200 camas”.

“Aguardamos os resultados de outra candidatura, enquadrada no plano da eficiência energética, que irá abranger mais duas residências, num investimento total de cerca de 1,8 ME. Como a componente da eficiência energética irá sempre ser executada, com ou sem apoio do PRR, o investimento total estimado para estas seis residências rondará os 14,3 ME”, esclareceu o reitor.

O presidente da AAC, por sua vez, disse igualmente “que a alimentação, os transportes e muitos materiais escolares não são contemplados devidamente pelos apoios diretos” aos estudantes.

O dirigente salientou a importância do ensino superior para o fortalecimento da democracia e defendeu a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), que considerou um “documento arcaico”.

Na sua opinião, o atual RJIES “tem prejudicado, sobretudo, a comunidade estudantil”, reduzindo a sua representatividade nos órgãos de governo da UC.

Além do presidente da AAC e do reitor, interveio na sessão o professor catedrático da Faculdade de Medicina Duarte Nuno Vieira, que proferiu a tradicional “oração de sapiência”.

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