Opinião: O novo orgulho nacional

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Portugal é o maior produtor de bicicletas da Europa. É verdade. A qualidade, o bom gosto e a arte das nossas bicicletas são um conceito único e conquistado.
No coração do Portugal, serrano, há muita vida para trás que os nossos governantes deveriam percorrer, por exemplo numa bicicleta Masil lousanense de alta competição, para constatarem os milhares de quilómetros de conhecimento, qualidade e profissionalismo que se estamparam no ciclismo nacional. É por isso que somos o maior produtor de bicicletas.
Além da excelente imagem externa que se criou do país, essa fina preocupação pela qualidade e profissionalismo é também a alma do nosso Fado, a quem devemos a promoção de um povo que sabe fazer e produzir com elevadíssima qualidade e bom gosto.
O Fado de Coimbra e os discos da Maria da Fé, da Amália, Madredeus, Carlos do Carmo, e do Camané, ensinaram-nos a pedalar. Hoje, em qualquer parte do mundo quando se ouve o som de uma guitarra portuguesa, o que se ouve na realidade é “o nosso som” porque soa a Portugal. É um som que mais ninguém tem. Tal como uma bicicleta Masil. Nem os italianos conseguem fazer melhor. Só que ninguém sabe cá fora…
O Governo deveria acompanhar a “pedalada”. Deveria valorizar pessoas, empresas e o nosso Fado, em tempo de radicalismos e contra-ofensivas. E não ter a ambição de tentar saber como se planta uma alface em temperaturas mais intensas.
E porquê? Porque “reforçar” apoios para as pessoas comprarem bicicletas não é uma estratégia de desenvolvimento coletivo para um povo que sabe conquistar mares nunca antes navegados. Serve apenas o empobrecimento.
No ano passado, a corrida às bicicletas esgotou os “cheques” do Estado, que alocou o montante de 1 milhão de euros. Esta obsessão dos nossos governantes em nada nos ajuda cá fora, porque dá a entender que somos um país de “coitadinhos” e “dependentes”.
Num país consolidado como o maior produtor europeu de bicicletas, o Governo diz que tem como “ambição” reforçar os apoios aos portugueses. Isso significa dizer que já nem uma bicicleta conseguem comprar com o seu próprio salário. Será?
É melhor habituarmo-nos a colher alface cedo de manhã antes do sol nascer para evitar ser uma estatística do novo orgulho nacional.

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