Opinião: Centros Tecnológicos Especializados. Mas é suficiente?

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A Componente 6 – Qualificações e Competências, do Plano de Recuperação e Resiliência e do Investimento estabelece os Centros Tecnológicos Especializados (CTE) como estratégia de modernização da oferta de ensino e formação profissional.
Através da instalação de 365 Centros Tecnológicos Especializados em estabelecimentos de ensino públicos com oferta de cursos profissionais e em escolas profissionais, públicas ou privadas, estão previstos 115 centros industriais, 30 centros de energias renováveis, 195 centros de informática e 25 centros digitais e multimédia.
Reconhecendo-se o mérito da iniciativa, dois pontos devem ser mencionados : ( 1 ) o reforço da hipertrofia Lisboa – Porto, e ( 2 ) a necessidade de reconhecimento estratégico e tático sobre um autêntico SANQ – Sistema de Diagnóstico de Necessidades de Qualificações.
Com boa intenção, a distribuição e mobilização de recursos de infraestruturas técnicas e financeiras, em setores estratégicos como a educação e formação, deveria obedecer a um desígnio mais efetivo de desenvolvimento do país, através de práticas de superior execução de políticas orientadas ao reequilíbrio de forças capazes de estimular uma maior mobilização de pessoas, processos e tecnologias dirigidas ao(s) futuro(s) emergente(s) da transição climática, digital e quântica.
Tal ainda não é visível, e o reforço continuado e concentrado em mais de 50% das verbas e dos equipamentos nas regiões de Lisboa e Porto, significam a perpetuação dos desequilíbrios e o acentuar das assimetrias entre litoral e interior, de todo injustificáveis numa altura em que os meios técnicos e tecnológicos autorizam um “modus operandi” que pode descriminar positivamente as populações e regiões de baixa densidade demográfica, comercial, industrial e de serviços.
O segundo ponto para relevar a importância estratégica do SANQ – Sistema de Diagnóstico de Necessidades de (novas) Qualificações, enquanto instrumento essencial de reflexão para as áreas de futuro em domínios industriais e tecnologias de ponta como blockchain, inteligência artificial, realidade virtual/aumentada, industrias de computação quântica e telecomunicações 5G/6G .
A requalificação dos territórios, organizações e pessoas deve ser um desígnio nacional. O “mais do mesmo” nunca é suficiente e nem deve ser opção. Num mundo em que os alvos se encontram em movimento permanente, os CTE devem poder afirmar novas competências humanas e algorítmicas, que permitam pensar e propor um país produtor de artefactos inteligentes, incorporando produtos e serviços mais complexos e portanto mais competitivos, num cenário da distribuição internacional do trabalho de alta intensidade cognitiva, e de afirmação das industrias criativas e imersivas, geminadas em “universos” tanto físicos quanto virtuais.

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