Opinião: Ceilão, sei lá

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O problema dum estado insano é a sua infuncionalidade. Quando se levantam problemas com a justiça, a hierarquia, a segurança, a saúde, a educação, os cidadãos primeiro não entendem, depois zangam-se, por fim cumprem a justiça sozinhos – e isso é a selva! O lugar onde a polícia recebe mais denúncias do que as que consegue investigar, as listas de doentes são maiores do que as equipas para as resolver, os professores não vão para as cidades onde já não conseguem pagar alojamento, alguns advogados ensinam nigerianos a usar esquemas de emigração e refúgio à conta da guerra da Ucrância, esse estado caduca, entra em incumprimento. Se um cidadão faz uma queixa de violência sem resolução, um polícia é desrespeitado nas suas funções, um enfermeiro é maltratado, o cliente insulta os trabalhadores, a vida fica pior. Um país onde a corrupção compensa, o compadrio é descarado, a ausência de fiscalização é persistente, converte-se num Sri Lanca (ou melhor, num Ceilão que foi assim que os portugueses o batizaram em 1505 ) e nesse país é difícil viver. O Ceilão é um processo português, um caminho de desconstrução que sobe a escada da corrupção, da falta de justiça, da ausência de policiamento e que termina na rua. O low cost político seguiu-se ao low cost do turismo e ambos levam a um mundo pior. Roma, Paris, Lisboa são cidades violadas onde gente às paletes se fotografa frente aos monumentos, se amontoa para repetir banalidades, viaja porque é giro, passeia sem qualquer sustentação histórica ou interesse. Há quem coma a mesma fast food (comidas prontas, produtos processados de cadeias internacionais) em todos os países, sem qualquer curiosidade local. O carreiro de milhões levou ao aluguer temporário de casas, ao negócio de render ao dia em vez de contratar ao mês e hoje não se pode viver em Lisboa. Não podendo viver em Lisboa não se pode trabalhar lá e por isso há menos médicos, menos professores, menos muitas coisas.
O estado insano é o produto das decisões criadas sobre convicções e não sobre dados claros e reprodutíveis. A destruição de Loures (Beatriz Ângelo), Hospital de Vila Franca , Hospital de Braga, Hospital de S. Sebastião são quatro bons exemplos do que são convicções caras, com consequências na vida dos cidadãos. A decisão de reversão da TAP já nos custou quatro mil milhões e continua a subir. O estado letárgico das polícias, e portanto da nossa defesa e segurança como cidadãos, deve-se ao insulto, à decisão errática, ao dedo acusador contra a autoridade, mais uma convicção com custos no aumento do crime e da indignidade.
Portugal precisa de gente mais consistente na política, precisa de bons políticos e sobretudo de gente que aporte a essa estrutura bom senso, sustentabilidade, decisões estruturadas e caminhos claros para um estado mais barato, mais eficiente. As escolhas têm de ser feitas. As minhas seriam estas: 1. Portugal se tem secas persistentes deve pensar em construir dessalinização hoje. 2. Se carecemos de energia sustentável e barata temos de dar passos para o nuclear hoje. Podemos obviamente evoluir com os outros nas energias renováveis e no hidrogénio mas as necessidades até 2035 são de prover agora, sem nos endividar mais e colocar os cidadãos na penúria. 3. Carecemos de destruir os centros hospitalares que estão há mais de uma década a desconstruir o serviço nacional de saúde. 4. Carecemos de reverter a decisão da energia e colocar Portugal dono da sua água, das suas barragens, da sua electricidade. 5. Precisamos de uma polícia presente, dissuasora, e precisamos de recolocar valores nacionais e de defesa que as guerras recentes bem comprovam a quem abrir os olhos: serviço militar para todos.
Há várias destas realidades que eu já fui contra e outras tive muitas dúvidas, mas a vida é dinâmica, a ciência evolui e hoje parece-me que para vivermos melhor, para pagarmos menos impostos, ter um estado mais funcional, temos de fazer mudanças radicais. Melhores salários, menos tempo de trabalho, sustentam-se em menos impostos e melhores escolhas.

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