Turismo é uma oportunidade única para os territórios de baixa densidade

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Que balanço é possível fazer do 8.º Forum Vê Portugal?

É um balanço claramente positivo. Não só pelo número de participantes, com mais de 500 inscritos que marcaram presença, ou pela qualidade dos cerca de 30 oradores dos vários painéis, mas fundamentalmente pela importância dos temas que foram discutidos ao longo dos quatro dias do Fórum.
Este é um Fórum que todos os participantes consideram muito relevante, uma vez que coloca na agenda central o turismo interno. Não nos podemos esquecer que o turismo interno foi a almofada que permitiu mitigar as perdas causadas por dois anos muito difíceis. Esta edição, em Tomar, foi particularmente relevante porque lançou para o debate temas novos, como os comportamentos atuais dos turistas, a emergência de novos produtos turísticos, a construção da marca Portugal ou a forma como podemos antecipar novas crises. Com estes temas, fomos além dos debates clássicos do turismo.
Destaco também a bolsa de contactos, com reuniões B2B entre empresas, que marcou o primeiro dia do Fórum. Foi muito importante para os operadores turísticos e agências de viagens nacionais ficarem a conhecer a oferta turística da região Centro de Portugal, com especial incidência nas sub-regiões do Médio Tejo e do Oeste. Foi a primeira vez que promovemos estes contactos e o resultado foi muito positivo, com dezenas de reuniões a decorrer em simultâneo.

Dos vários dias da iniciativa, qual é a principal conclusão que se pode extrair das várias intervenções?

Entre as muitas conclusões que se podem retirar do Fórum, há uma premissa que ficou bem clara na mente de todos, durante os quatro dias: a de que não há territórios condenados à partida. Já não faz sentido o mito de que existem territórios predestinados para o turismo e que há outros em que não vale a pena apostar. A pandemia provou-nos precisamente o contrário, ao mostrar que a diversidade e a singularidade dos nossos territórios são fontes de atração para os visitantes. O turismo é, por isso, uma oportunidade ímpar – talvez seja mesmo “a” oportunidade – para os territórios de baixa densidade se desenvolverem.

Quais são as expetativas da Turismo Centro de Portugal relativamente ao Verão de 2022?

A perspetiva para o verão é francamente otimista, motivada pelos dados que já temos do Observatório do Turismo Sustentável do Centro de Portugal e dos números mais recentes do INE, além do contacto direto que promovemos com os empresários da atividade turística. Os empresários aguardam um verão de 2022 muito superior ao que se previa inicialmente, com condições para ultrapassar o registo de 2019, que foi o melhor de sempre até à data. Temos muitas unidades de restauração e alojamento na região em que os resultados dos primeiros cinco meses de 2022 superaram a média do rendimento que tiveram em 2019, pelo que tudo indica que será um verão memorável para o turismo da região.

Ficou preocupado com os resultados do inquérito da AHP sobre as taxas de ocupação no próximo verão e que colocam a região Centro com uma taxa mais baixa de ocupação em comparação com as outras regiões?

Fiquei surpreendido, porque os resultados desse inquérito não batem certo com os dados disponíveis até agora do INE, que dão conta de uma subida generalizada da ocupação na região. Os nossos dados internos também apontam num sentido contrário àquele que a AHP tornou público. Embora não conheça a ficha técnica do trabalho que foi apresentado, acredito que a monitorização da AHP poderá ter como base unidades de alojamento que não representam a média dos estabelecimentos hoteleiros do Centro de Portugal. Logo, os resultados não serão representativos de toda a região. Mas isto não invalida que melhorar as taxas de ocupação no território não deva ser uma prioridade. Todos queremos que assim seja.

O mercado nacional vai voltar a ser o principal mobilizador económico da região?

Tradicionalmente, o mercado nacional é a principal fonte de turistas para a região, representando mais de metade do mercado turístico do Centro de Portugal. Apesar de nos anos que antecederam a pandemia os visitantes estrangeiros registarem um peso crescente, tanto em número de dormidas como nas receitas, a verdade é que os portugueses escolhem este território como destino prioritário para férias e fins de semana. Em abril de 2022, comparativamente a abril de 2019, tivemos um aumento de 50 mil dormidas só do mercado nacional, o que significa que há uma tendência crescente para fidelização do mercado nacional. Por esse motivo, os efeitos da pandemia no Centro de Portugal tiveram menos impacto na atividade turística do que em outras regiões, mais dependentes de visitantes estrangeiros. Acreditamos que este ano o mercado nacional vai continuar a ser o mais importante, mas não na mesma proporção. Os estrangeiros estão a regressar e a tendência é para que o desnível entre visitantes nacionais e estrangeiros se esbata nos próximos anos.

Que impacto pode ter a Guerra na Ucrânia no Verão de 2022?

Os efeitos de uma guerra são sempre imprevisíveis. No entanto, como estamos na outra extremidade da Europa, a procura turística do Centro de Portugal não tem uma relação direta com esta guerra. Quando muito, haverá visitantes que optam por esta região em detrimento de destinos do leste europeu. Mas o impacto será pouco significativo, quase residual.
Quem escolhe o Centro de Portugal como destino de férias, fá-lo independentemente da guerra na Ucrânia. Escolhe o Centro de Portugal pelas características intrínsecas deste território, que estão em linha com as tendências da procura: o Turismo Ativo, o Turismo de Natureza, Saúde e Bem-Estar, o Turismo Cultural, o Ecoturismo, o Enoturismo e o Turismo Religioso, entre muitos outros produtos turísticos.

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