Opinião: “O cérebro não pode perder contacto emocional com os outros”

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Da direita à esquerda parlamentar, e perante a derrocada do S.N.S. a que todos os dias vamos assistindo, têm sido tantas as críticas à Ministra da Saúde, Marta Temido, que até chegou o momento de aparecer um pedido da sua demissão vindo de um deputado do seu próprio partido, Sérgio Sousa Pinto, em comentário no programa “Contrapoder”, transmitido pela CNN.
Sérgio Sousa Pinto justificou a sua própria opinião, considerando que já não era possível que a Ministra conseguisse protagonizar qualquer reforma do S.N.S., S.N.S. que era urgente defender e reformular estruturalmente.
Aliás, as críticas ao S.N.S. explodiram quando uma grávida se dirigiu ao Hospital das Caldas da Rainha e encontrou a Urgência de Obstetrícia encerrada, acabando por perder o bebé!… E, finalmente, todos acordaram! As desculpas do costume, situação conjuntural a resolver pontualmente, paliativamente, já não pegaram! E, desta vez, toda a comunicação social, todos os partidos, a população em geral, aceitam que é urgente uma profunda reforma estrutural do S.N.S.!… Todos não, a Senhora Ministra continua a querer pôr remendos em manta que se está esfarrapar!…
Mas, hoje, não é o S.N.S. (que defendo e que gostaria de ver como António Arnaut e Mário Mendes – dois homens de Coimbra – imaginaram ou, pelo menos, como já foi) nem a intervenção de Sérgio Sousa Pinto que pretendo comentar. Aliás, tão pouco pretendo analisar se a sua intervenção foi oportuna ou não, porque desconheço a profundidade dos conhecimentos do deputado do PS e a sua preparação nesta área da saúde. O que a mim mais me surpreendeu foi que, quando os jornalistas interpelaram António Costa referindo os pedidos de demissão da Ministra por diversos partidos da oposição, mas acrescentando que Sérgio Sousa Pinto, deputado do partido socialista, havia manifestado idêntica opinião, o Senhor Primeiro Ministro respondeu numa mescla de arrogância e ironia; “E então? E então? Era o que me faltava andar a seguir as opiniões de Sérgio Sousa Pinto” (sic).
Primeiro, considero que é feio, mesmo muito feio, o Primeiro Ministro do meu País trate assim um deputado do seu partido (ou de outro qualquer partido que fosse). Distraiu-se … e escapou-lhe … “fugiu-lhe o pé para a …” e trocou “maioria absoluta” por “poder absoluto”!…Seria?
Segundo, Sérgio Sousa Pinto é uma figura pública, mas, antes disso, é um cidadão português, um ser pensante e livre, vive numa democracia e, como tal, tem o direito e o dever de se expressar com a sua verdade, com o seu pensamento (e não com o dos outros) como ser pensante que é. Por outro lado, os deputados foram eleitos pelo povo e todos merecem o mesmo respeito, por igual, sejam ou não favoráveis ao governo eleito, mesmo que esse governo represente uma maioria absoluta. Por isso, neste caso, o Senhor Primeiro Ministro agrediu a seriedade e tentou cortar a liberdade à manifestação espontânea do pensamento de Sérgio Sousa Pinto que, mesmo pertencendo ao mesmo partido, não é obrigado a pensar como o Dr. António Costa quer e em todos os patamares da governação.
A ambição dos seres humanos viverem contentes, felizes e serem livres pode ser difícil de concretizar. Mas é um direito inalienável.
A liberdade tem a sua base no conhecimento de nós próprios e dos outros, em diálogo construtivo baseado no respeito mútuo, no respeito por todos.
O cérebro não pode perder contacto emocional com os outros.

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