Opinião: “Dois mil e trinta: construir, questionando”

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O mundo dos últimos trezentos anos, fundado na racionalidade da física clássica proporcionando atmosferas relativamente estáveis e previsíveis parece estar a chegar ao fim. Uma era mais consentânea com o primado das possibilidades e das probabilidades que emanam da física quântica, vai emergindo com reflexos na própria sociedade atual : imprevisível, complexa, estranha e … frágil. A curiosidade e o desejo de transformar continuamente os ambientes envolventes através de tecnologias cada vez mais potentes e instantâneas, coloca o ser humano perante mais um dos seus dilemas intemporais – a possibilidade de realizar objetos dotados de “inteligência algorítmica” e o interesse efetivo em criar esses mesmo objetos, se e só, quando apresentam um propósito com utilidade ou valor intrínseco, e, não apenas como artefacto de utilização e de posse.
Estima-se que para 2030, a panóplia de tecnologias emergentes com crescimento exponencial onde se destacam as redes distribuídas blockchain, inteligência artificial, realidade virtual, computação quântica e redes 5G , encerram um potencial (re)produtivo e (re)distributivo com impacto no modo como percecionamos e escalamos a economia, a sociedade e os normativos de regulação da vida em comunidades/sociedades híbridas, ao mesmo tempo físicas, virtuais e sensíveis (sobreposição quântica !).
Em 2022, e no atual quadro de fortes perturbações geopolíticas e geoeconómicas com impactos societais ainda difíceis de qualificar e quantificar, importa não perder a noção de incentivar a reflexão por questionamento e incitamento à ação ponderada sobre o medo que paraliza, e pior, empobrece. E assim :
• Como planear os futuros emergentes numa sociedade imersa em artefactos tecnológicos de processamento e informação instantânea ?;
• Como concetualizar políticas de administração pública para empresas e instituições que ainda nem existem ?;
• Como educar e formar as pessoas para lidar com “inteligências de fusão” produzidas pela interação continua e complexa entre homens e máquinas ( robots ) ?;
• Como preparar a (ciber)segurança de pessoas e bens em atmosferas e projetos de ciclos cada vez mais curtos e aumento da intensidade do risco em “bolhas”, pirâmides e fraudes ?;
• Como interiorizar as novas arquiteturas neuronais derivadas de mensagens e estímulos sensoriais de tempo real, que desafiam o bem estar e a saúde mental em contínuo ?;
•Como promover o Envelhecimento Ativo e a Longevidade através do “Learning for Long Life” ?.
Longe vão os tempos de visões estáticas da realidade, quando ela própria se encarrega de nos recordar o efémero, através de quotidianos que, há muito se propõe substituir o conceito de “tempo” pela ideia de experiência e de vivência, dentro de uma corpo que é essencialmente uma “máquina de sentir” e de pensar.

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