Opinião: “Amigos, são sempre para o melhor e sobretudo… para o pior”

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Foram dias aziagos os que vivemos em Coimbra nestes últimos dias.
Cada um a seu jeito e com a sua personalidade, bem vincada como convém, três cidadãos que muito deram a Coimbra e, porque não dizê-lo, à Académica “passaram” para outra dimensão sem nossa autorização.
É hábito dizer-se que todos temos a nossa hora. Que não escaparemos ao destino. Mas existem “destinos” que poderiam demorar mais algum tempo.
Muitas vezes discordámos, naturalmente, porque tinham opiniões – o que começa a ser difícil encontrar, porque para opinar é preciso pensar – porque defendiam os seus pontos de vista com firmeza e por vezes com alguma rudeza, o que, diga-se, também é uma característica da nossa cidade.
Nunca tive uma relação preferencial por nenhum deles, pelo facto da nossa acção desportiva e política se situar em planos diferenciados.
Como homem e cidadão de Coimbra nunca deixei de respeitar a opinião de cada um.
Campos Coroa é daquelas pessoas de que seria impossível não gostar. Apesar de impetuoso era um coração mole. Emocionava-se muito facilmente. Acreditava nos seus Amigos e por eles movia montanhas quando estava em causa uma amizade. Uma pessoa que deixava um rasto de amizade por onde passava.
Carlos Portugal, foi tão só, o mais campeão dos campeões. O treinador com mais títulos conquistados.
Nunca o basquetebol da Académica esteve tão bem representado do que com ele. Mas também, foi ele que alcandorou o Olivais Futebol Clube ao mais elevado escalão do basquetebol masculino.
Quando hoje se fala em “coordenação técnica” já ele em 1978 – mil novecentos e setenta e oito, leu bem – a praticava. Os que falam hoje disso, chegam com décadas de atraso.
Mas também eu lhe devo o entusiasmo que sempre dediquei ao desenvolvimento desportivo e ao seu estudo, porque foi com ele, e por causa dele, que trabalhei mais afincadamente. Ainda hoje, quando alguma dúvida me assalta, me “encontro” com muitos documentos que então elaborámos.
Carlos Cidade nunca foi meu Amigo íntimo. Nem lá perto. Mas respeitávamos a nossa diferença. Discordámos muitas e bastas vezes sobre a condução do Partido Socialista. Mas acho que nos reencontrámos após a sua derrota – e de muitos mais – nas últimas eleições autárquicas, quando lhe transmiti a minha solidariedade.
Agradeceu-me publicamente, apesar de a isso não estar obrigado, mas também ele sabia bem que, nas derrotas nem todos estão presentes.
Foi para o Partido Socialista um “todo o terreno”, não descansando enquanto não levava a sua avante. Todos lhe devemos as vitórias que sobretudo ele conquistou. O Partido Socialista perdeu “uma máquina” que é impossível substituir.
Mas a sua memória respeitada. Ainda mais respeitada, porque já não está entre nós!
Gostaria de continuar a manter com ele discordâncias, discussões acaloradas.
Olho à minha volta e já não vejo quem mais!
Mais velhos ou mais novos, mereciam ter mais oportunidades de mostrar, “ainda mais” o que valiam, porque quando partimos deixamos muita coisa por fazer, muitos projectos por realizar.
Estejam bem e preparem o meu e nosso caminho.

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