“O nosso objetivo é claramente aumentar o número de alunos”

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Quais são os principais objetivos da direção da ESAC para os próximos quatro anos?
Mentiria se não dissesse que queremos dar continuidade ao trabalho que temos vindo a fazer, embora tivéssemos dado uma nota na necessidade de articularmos melhor internamente o diálogo entre as pessoas e tornar as pessoas mais presentes nas decisões, portanto fazer isto de uma forma mais participada. O nosso objetivo é claramente, nesta senda que temos tido nos últimos anos, aumentar o número de alunos, queremos continuar a fazer isso e queremos reforçar, ainda mais, o nosso papel na investigação que, no seio do Politécnico de Coimbra, a Escola Agrária tem um papel importante ao nível da investigação; queremos reforçar isso.

Há vários projetos que já estão a ser desenvolvidos…
Há um conjunto de projetos, nomeadamente no âmbito do PRR, a que nos candidatámos e que pensamos que vão ser um bom reforço. Acreditamos que alguns vão mesmo acontecer. Depois há um conjunto de objetivos que passa por compromissos assumidos.
No PRR foi aprovado um plano de formação no âmbito do IPC ao qual nós, Escola Agrária, vamos ter que dar resposta. Essa resposta passa por Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CReSP), pós-graduações, de micro-credenciações, envolvendo programas como o Impulso Jovem ou o Impulso Adultos. Temos um compromisso que temos que cumprir.
Temos um papel importante na Escola da Floresta, na Lousã, onde a componente das florestas vai ser forte. Portanto o nosso compromisso passa por assumir esses cursos e essa lecionação, ainda que tenhamos que recorrer a formadores externos, não necessariamente só com professores da casa.

Para além desses há outros que já estão implementados?
Sim. Estamos numa escola antiga, com 135 anos. Embora este edifício central tenha sido reconstruído na década de 70 do século passado, depois foi objeto de uma reconversão interna, em 1980, portanto há 40 anos. Toda a infraestrutura carecia de uma intervenção. Há seis anos todas as coberturas eram em chapas de lusalite, portanto com amianto, e todas as janelas eram madeira com frestas de 1 cm e vidro simples.
Tem havido, nos últimos anos, um esforço interessante e relevante da nossa parte de sermos impulsionadores, dentro do próprio IPC, de candidaturas a projetos de eficiência energética. Temos o prazer de ter corrido bem. Conseguimos mostrar que é possível com edifícios antigos fazer alguma reconversão.

Que mudanças já foram feitas com esses apoios de programa de eficiência energética?
Já substituímos mais de 800 janelas, já substituímos as coberturas todas. Já temos uma janela com corte térmico, vidro duplo, oscilobatente.
Pode afirmar-se que uma das “bandeiras” desta direção está na melhoria das infraestruturas?
Seguramente. Costumo dizer, em jeito de brincadeira, que temos tanto direito como as outras escolas do IPC a ter condições decentes para os nossos alunos e trabalhadores. Lá por sermos uma escola de agricultura.

Em termos de área a ESAC deve ser das maiores escolas do IPC…
Temos uma área muito grande e temos cerca de 40 edifícios, o que é uma dor de cabeça para gerir. Falamos de edifícios com mais de 100 anos. Eu chego a ter roturas de água numa canalização que tem quilómetros.
Temos que estar em permanência a socorrer e temos feito remodelações, temos feito substituições parciais ao nível das infraestruturas, mas algo com esta dimensão nunca está acabado. Temos 140 hectares, 90 aqui junto da cidade e é de facto um desafio permanente.

Quantos alunos tem neste momento a ESAC?
Ultrapassámos os 1000 alunos, estamos com cerca de 1160. Temos muitos cursos, licenciaturas são oito, as duas últimas foram Turismo em Espaços Rurais e Naturais e Enfermagem Veterinária, que abriu há dois anos. Esse curso de enfermagem veterinária permitiu, de facto, um reforço interessante ao nível da procura, porque esta área é complicada.

Na tomada de posse apelou à renovação das instalações das oficinas tecnológicas de Lacticínios e de Hortofrutícolas. Isso pode avançar a curto prazo?
Eu queria. Aliás era um grande desiderato nesta candidatura do IPC aos PRR e Impulso Jovem e Adultos, era a minha esperança que nós conseguíssemos alocar uma verba para investir nas Oficinas Tecnológicas de Lacticínios e Hortofrutícolas.
Com essas oficinas conseguimos ter uma muito boa ligação ao exterior e conseguimos fazer um trabalho de investigação muito meritório, portanto somos reconhecidos na zona por isso. De facto, não obstante termos investidos lá há cerca de 30 anos, as condições estão a degradar-se.

Esse financiamento para a renovação das instalações. Qual é o valor necessário?
Estamos a falar na ordem dos 800 mil euros, entre equipamento e reconversão das instalações, porque chegámos à conclusão que não vale a pena estar a insistir naquele sítio, porque é um edifício centenário, que tem 150 anos, foi, em tempos, a secretaria da escola. Já teve várias utilizações e há cerca de 30 anos foi remodelado para o fim que tem agora.
A tecnologia vai mudando e as exigências sanitárias são cada vez maiores, portanto nós precisamos mesmo de fazer uma coisa de raiz.

Falou em “intervenções em excesso” que “fazem temer pelo futuro e sustentabilidade deste espaço”. Que planos do IPC o levam a assumir isso?
Tenho algum receio. Isto é uma zona muito apetecida. Estamos dentro da cidade, são 90 hectares, perto de núcleos urbanos. Há uma tendência para nos esquecermos que isto se calhar é das últimas quintas senhoriais que ainda existe nesta zona e é património do Estado.
Há aqui uma responsabilidade nossa de tentar manter isto de alguma maneira. Não sou, nem nunca fui, contra o progresso e a melhoria das condições, sempre apoiei e dei ideias. Recordo que a sede o IPC vai mudar aqui para o edifício da Casa do Bispo, que é dentro da ESAC. Era um edifício que era nosso e que foi cedido ao IPC. Nós não tínhamos condições para conservar aquilo, por isso faz todo o sentido em vez de construir uma coisa nova recuperarmos património. Construir coisas novas em cima de um património que há 135 anos é uma escola ligada à agricultura, acho que isso tem que ser com cuidado.

Referiu, em relação aos ciclos de formação, que a ESAC deve fazer uma transição para uma “Universidade Politécnica”. Como pode ser feita e acelerada essa transição?
Isso é uma questão meramente legislativa, de âmbito político. A sociedade não reconhece e é uma designação muito antiga e já desatualizada, a designação de instituto. Pela Europa, a designação de instituto reservada a instituições de ensino superior já não existe, são universidades, sejam universidades técnicas, universidades politécnicas ou só universidade.
Do ponto de vista interno essa designação ainda tem impacto. “Ah! Não é universidade, vais para um instituto”, há aqui algum desprestígio que era facilmente resolvido. Mais importante ainda é quando no exterior nos queremos projetar e eles não reconhecem instituto como coisa nenhuma. É difícil reconhecerem-nos e é preciso muita explicação. Sei que brevemente esse é um assunto que estará para ser discutido ao nível da Assembleia da República, vamos ver.

A inclusão de doutoramentos nos ciclos de ensino que podem ser ministrados pela ESAC são um passo para esse objetivo?
Infelizmente não tem nada a ver. A decisão de universidade politécnica é puramente política, de RJIES, concetual. A questão dos doutoramentos é outra. Nós temos tudo preparado para que, assim que seja possível do ponto de vista legal, ao ensino superior politécnico lecionar doutoramentos, nós, ESAC, avançarmos.
Somos, ao nível do IPC, se calhar a escola com mais peso na investigação, desde sempre, isso é inato e acho que é uma questão de necessidade, pois sempre precisámos de nos candidatar a projetos de investigação para podermos ter recursos.
m relação aos cursos de 1.º e 2.º ciclos. Que avaliação faz do atual quadro formativo ministrado pela escola?
Temos três níveis de ensino. Temos os CTeSP, que são cursos de dois anos anteriores ao 1.º ciclo (licenciatura). Alguns desses alunos fazem formação mais técnica e profissional e transitam, com alguma creditação, para cursos de licenciatura (1.º ciclo) e depois cursos de mestrado (2.º ciclo). Esta área das licenciaturas tem sido complicada. Não é uma área com muita atratividade para os jovens. Agora tenho esperança que começa a ser mais procurada. Os nossos cursos estão focados naquilo que é a atualidade: na agricultura, no ambiente, na engenharia alimentar, na tecnologia e gestão ambiental, no turismo e gestão de espaços rurais. A panóplia de cursos que temos para oferecer são o “core” daquilo que está no centro das atenções. Espero que se mantenha esta tendência de atratividade.

Outra ideia que transmitiu na tomada de posse estava relacionada com o desígnio de colocar o campus de Bencanta como “um espaço de referência da cidade”. Como a ESAC para ganhar esse “estatuto”?
Era um pouco a ideia de tentar permitir o usufruto de um espaço que está a “dois passos” do centro da cidade, que tem uma área florestal, que tem uma mata de carvalhos, medronheiros, sobreiros e azinheiras espetacular. Um espaço onde se faz produção animal e agrícola.
Se vierem cá ao fim de semana há várias famílias com crianças aqui, pessoas a passear, mas tudo isso é feito de uma forma um pouco organizada. Nós devíamos ter a capacidade para nos organizarmos e colocarmos isto mais ao serviço da cidade. Dificilmente conseguiremos fazer isso sozinhos, a cidade também tem que ter algum interesse nisso e tem que criar condições para ser mais fácil chegar cá. O transporte é fundamental, tal como a ciclovia. O nosso espaço está aberto e as pessoas podem desfrutar. Deveríamos fazer isso de uma forma mais concertada.
A nossa ideia é tornarmo-nos mais visíveis.

Para esse desígnio, a ESAC terá que ter o apoio da Câmara de Coimbra…
Era o que eu falava, a cidade tem que querer, nomeadamente a Câmara de Coimbra e a junta de freguesia onde estamos instalados. Temos que ter a capacidade para mobilizar as pessoas. O próprio IPC também. Ter um financiamento para ter uma escola a funcionar, no nosso caso, é difícil, e eu compreendo que seja, em relação à ESAC, um encargo superior, mas quando nos queremos abalançar em projetos destes, que vão para além de ter a escola a funcionar, ainda são precisos mais recursos. Colocar o espaço ao serviço da cidade, isso implica gente e recursos.
A internacionalização ganhou ainda maior preponderância.

Que objetivos tem esta direção a esse nível para o próximo quadriénio?
Estamos numa fase de transição. Vínhamos numa senda de crescimento, mas a pandemia parou tudo. Durante dois anos não existiram mobilidades, mesmo a nível de Erasmus. Estamos agora a retomar o processo.
Nós temos, de facto, uma atratividade interessante, temos protocolos Erasmus com várias instituições, temos trabalhos com países PALOP e há vários alunos desses países que nos procuram. Do ponto de vista da internacionalização é retomar o que vínhamos fazendo até à chegada da pandemia. Tínhamos seguramente cerca de 50 alunos estrangeiros e, de repente, deixámos de ter. A internacionalização não é só isso. Ao nível da investigação temos muitos parceiros internacionais e com os quais temos relações. Há várias formas de fazer essa internacionalização e, felizmente, o nosso corpo docente e técnico é dinâmico a esse nível, e ainda bem.

Se tivesse que escolher três elementos essenciais para o sucesso da instituição, quais seriam?
Estudantes, porque são fundamentais. Depois diria investigação e prestação de serviços à comunidade.

Que mensagem gostava de deixar aos alunos e professores da ESAC?
Aquilo que eu disse na minha tomada de posse: contamos e precisamos de todos. Precisamos da dinâmica de todos, de nos envolvermos todos, para conseguir cumprir os nossos desígnios. A dinâmica de cada um vai fazer com que nós consigamos continuar a ter sucesso.

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