Opinião: Orçamento para a saúde: arrojo na dotação, frugal na ambição

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O novo orçamento de estado assume-se como o maior orçamento que alguma vez se considerou para tão importante Ministério, considerando um aumento de 700 milhões de euros por comparação com o de 2021.
Numa entendível tentativa de “limpar contas”, que sistematicamente ultrapassam a previsão de custo,
e considerando medidas de motivação à dedicação plena dos recursos humanos ao serviço nacional de saúde, ainda que num modelo pouco diferente do já hoje implementado, o novo orçamento de estado é arrojado na dotação e limitado na ambição. Ergue meritórias bandeiras de aposta em novas unidades hospitalares, bem como na renovação e modernização de tantas outras, e assume a transformação digital como aposta, sem deixar de relevar o papel dos cuidados primários que deverão ser dotados de uma maior capacidade de resposta e proximidade às populações.
Contudo, ao novo orçamento de estado falta arrojo e disrupção por manifesta amarra política a uma ideologia que insiste em ignorar o sistema nacional de saúde como um todo. Politicamente insistimos em não privilegiar uma política integrada de saúde, ainda que dela estejamos intrinsecamente dependentes, sonegando estrategicamente o setor privado e o seu importante papel na complementaridade com o setor publico, bem como ignorando o seu insubstituível contributo para a sustentabilidade financeira das políticas de saúde.
Sendo reconhecida a importância da dotação orçamental, esta jamais será suficiente para nos emancipar da obvia necessidade de assunção de políticas que nos garantam equidade, sustentabilidade e qualidade.

“Vision without action is merely a dream. Action without vision just passes the time. Vision with action can change the world”

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