Opinião – O tempo passa e o mundo vai mudando…

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A uma pandemia junta-se uma guerra na Ucrânia que veio alterar de forma radical a arquitectura da estratégia de defesa na Europa. Putin fez mal as contas em relação à resposta que a Europa e a NATO estão a dar, apoiadas sobretudo no respeito dos valores que caracterizam os seus estados membros: autonomia dos estados e respeito pela liberdade dos cidadãos. E essa resposta foi dada no momento em que tinha de ser dada.
Lutar pela integridade da sua Nação e pela liberdade de um povo é sempre uma opção legítima, embora seja necessário ponderar todos os riscos que daí resultam. Apoiar esses princípios é a defesa dos valores que devem presidir ao comportamento entre nações, mas tal atitude também não é isenta dos riscos que daí resultam, agora para os que apoiam.
Vivemos tempos estranhos, incrédulos com a fúria de destruição sistemática e com as atrocidades a que diariamente se assiste nos meios de comunicação social e que a todos amarguram e revoltam. E perguntamo-nos: Como é isto possível em pleno Século XXI?! E se é certo que temos o direito à notícia, é sempre difícil ser árbitro quando afogados por ondas de informação e contra-informação, por repetições constantes de imagens, umas ocorridas hoje outras há já muitos dias!…
A guerra sobrepôs-se à pandemia e as notícias televisivas e das redes sociais fizeram com que a pandemia deixasse de ser o farol da notícia diária. Entretanto, de semana a semana, lá se foi esquecendo o número de infectados e mortos a que, por sua vez, a população também deixou de prestar atenção alencados no facto de o Governo abrir a porta à não obrigatoriedade da máscara. Não sei, nem tenho capacidade para analisar a situação (científica ou política?!) da facilidade com que tudo se muda sem explicação cabal, de um dia para o outro, sem as restrições que ainda no dia anterior eram sagradas. Como resultado, a TV noticia esta semana que Portugal é o país da Europa com mais infectados por cem mil habitantes e o segundo no mundo. Então, é natural que se pergunte como éramos os mais bem comportados há algum tempo atrás e agora somos os piores?
Entretanto, a Ministra da Saúde já começou a alertar para a necessidade de haver mais cuidado em recintos “mais fechados” e de “menores dimensões”, repete-se, depois de no dia anterior ter recusado perentoriamente o regresso às máscaras e o regresso de testes gratuitos.
O tempo passa e o mundo vai mudando…
Para colmatar todas estas incongruências surge a notícia:
“Covid-19: Testes gratuitos se prescritos e com preço máximo de 10 euros para o Estado”.
Isto é, os testes rápidos de antigénio de uso profissional voltam a ser gratuitos a partir de hoje, terça-feira 24 de Maio!… Curiosamente, hoje mesmo, uma senhora aparece numa das farmácias de Coimbra com a respectiva prescrição passada pelo médico … e foi-lhe recusado o teste gratuito!… A razão apresentada foi simples: ainda não tinham conhecimento oficial para os procedimentos. Ouviram a notícia, consultaram a plataforma e nada encontraram. Falaram com a ANF que lhes disse que tal norma iria entrar em vigor mas apenas após esclarecimentos superiores que aguardavam.
Perante isto, interrogo-me: quem vai resolver o que falta resolver? O SNS? A ANF?!
Entretanto, anuncia-se que para o fim de Maio se prevê o numero de 60 000 infectados e afirma-se que é importante o acesso a realização de testes rápidos de antigénio! E transforma-se cada utente numa barata tonta à procura de uma prescrição para não pagar. E sobrecarregam-se os Centros de Saúde, ou o Serviço de Saúde 24, que já estão sobrecarregados de utentes, vão atolar-se em pedintes de receitas!… E, mesmo assim, o Estado pode não comparticipar na totalidade, apenas 10 € no máximo!…
A incompetência gera estas decisões desproporcionalmente burocráticas, gera o desacerto dos Serviços, cria falta de confiança dos utentes!…
O tempo passa e o mundo vai mudando… Mas oxalá que nos chegue informação mais correcta, mais transparente, e menos em zig-zagues!

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