Opinião: “O nosso futuro está na escola”

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Afirmar que, “a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do outro”, pode parecer um lugar comum. Mas não é!
Já não terá sido a primeira vez que o meu querido amigo entra num café, ou mesmo um restaurante, e há alguém com o telemóvel em altos berros a debitar o que quer que seja.
Piora, quando em alta voz, ficamos a saber de assuntos estritamente pessoais, como se a sua vida nos interesse para alguma coisa! E não interessa mesmo nada!
É algo insuportável desejar estar a tomar um café ou conversar, e está “um animal de cabelo” a incomodar toda a gente, sem que ninguém lhe chame a atenção do incómodo que está a provocar.
Já me aconteceu, e ai de quem lhes diga alguma coisa, porque estamos a invadir a sua liberdade. Confiando o animal que a liberdade é algo que apenas a ele diz respeito!
Não é a primeira vez, confesso, que coloco também o “telemóvel a cantarolar”! Para irritar o “circunstante”!
Delicio-me com a cara dos vizinhos quando “os peitos da cabritinha” começam a soar na voz do Quim Barreiros, e eu começo a bater o pé e, já agora, a cantarolar!
Mas melhor, é quando eu coloco “afinal havia outra” da Mónica Sintra – vejam lá o que eu sei de música portuguesa, da popular -!
Quando esta anima o ambiente – boa animação! -, a companheira do “animal” fica de pé atrás, na desconfiança que eu o conheço, dele não gosto, e lhe estou a dar a indicação que deverá partir para a violência e lhe dê cabo do canastro à bengalada! É que uma loira, é sempre uma loira! E como a velha é morena!
No meu tempo – desculpem lá esta coisa de “no meu tempo, porque o meu tempo é hoje” – quando as famílias não conseguiam transmitir bons comportamentos aos seus descendentes, era a escola que o fazia.
A escola tem de ser uma Instituição de Bem. Uma organização, e não várias organizações dentro da mesma, onde se deve transmitir não só conhecimento científico. Mas a escola é para os alunos, porque sem alunos não há professores. É para eles que a organização como um todo tem de trabalhar, sacrificar-se até, quando está em causa a sua própria sobrevivência.
Sim. Chegámos ao ponto zero, o nível onde se coloca a Escola! Ou se desenvolve noutros moldes, ou afunda-se! E todos sofreremos com isso!
Há quem apenas culpe os sucessivos governos da desgraça a que chegámos. Dou de barato que o poder político, do voto, portanto, e por tanto, leia os sinais da sociedade desse ponto de vista. Dou de barato, mas contesto!
Os sucessivos governos deveriam “ter dado conta” que a degradação da escola pública era um sinal, um mau sinal da sociedade!
Mas não só os governos. Mas também os sindicatos!
Não. Estou a ser injusto. Os Professores. Que apenas se preocuparam com questões financeiras ao longo destes anos, apesar, vejam lá, da pouca ou fraca progressão na carreira.
Nunca se manifestaram contra as péssimas condições de trabalho, contra a violência de alunos e encarregados de educação, nunca clamaram para que a justiça prendesse essa gente mal formada, nunca conseguiram criar horários num sábado de manhã – talvez uma vez por mês para receber os encarregados de educação – nunca perceberam, enfim, que no futuro não muito longínquo, os seus filhos e netos vão sofrer.
Atirar as responsabilidades para outros, porque outros se seguirão, será mais fácil.
Criaram condições únicas para que tudo lhes seja imposto, sem que as vossas organizações sindicais possam reagir, porque “tomados” pelo poder político.
Em nome do futuro dos nossos jovens e do país, discutam o valor da escola consubstanciada no valor do Professor.
Isso sim, era trabalho!
Com uma escola de valores e de princípios, passarão a ouvir, comigo, o Quim Barreiros e a Mónica Sintra, mas com uma “coisa qualquer” no ouvido!

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