Opinião: “Época de tufões”

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Está oficialmente aberta a época de tufões em Macau.
A chegada do verão traz consigo a ansiedade gerada pelas revoltas da natureza.
Viver o verão de Macau é oscilar entre dias de céu azul que antecedem as tempestades, resistir nos dias de chuva intensa que caracterizam os rastos dos tufões e, nos intervalos destes, ir sobrevivendo com os termómetros nos píncaros e com a fiel companheira “humidade de sauna” que nos deixa com a face a brilhar, a roupa carimbada e o corpo a latejar.
O verão inaugura com a mochila de evacuação preparada: power bank carregada, lanterna atestada de pilhas e passaporte minuciosamente guardado dentro de uma pasta impermeável. É imprescindível verificar o stock de fita adesiva que, com distintas e divergentes teorias, continua a ser esperançosamente aplicada em forma de X nas janelas, com o intuito de ajudar na distribuição de forças e evitar que o vidro se parta ou, em último caso, que este permaneça colado à fita na eventualidade de quebra.
E com as notícias da proximidade e intensidade de um tufão é hora do apressado duche da despedida e de lavar a louça do jantar que ficou preguiçosa e estrategicamente esquecida na pia, não vá a água faltar durante alguns dias. Em desespero enchemos o lavatório da casa de banho e certificamo-nos de que todas as janelas de casa estão bem fechadas.
A reposição de mantimentos de primeira necessidade foi já feita de véspera. Para além de água engarrafada e de alguns enlatados, é essencial e imprescindível um bom tinto português e um queijo amanteigado, não vá a noite ser demasiado longa e solitária.
Telemóvel com bateria no máximo, mensagens a amigos para actualizar a situação, gato na caixa de transporte e cão com coleira a postos em necessidade de rápida evacuação caso as janelas fraquejem. E assim ficamos todos a aguardar que ele passe, de forma rápida mas leve e que não se lembre de deixar na região um rasto de destruição. Rezamos a São Pedro, a Poseidon e a Éolo para que mudem a rota do tufão ou façam com que este perca vigor. Pedimos, encarecidamente, à mãe natureza que não chegue à região demasiado enfurecida e que nos surpreenda, unicamente, com uma boa limpeza de vidros.
Para intensificar o drama, as tempestades tropicais têm o triste hábito de visitar o território durante a noite. Macau, ou a “Cidade do Santo Nome de Deus de Macau”, assim conhecida desde 1583, continua a ser vista como uma terra abençoada pela protecção divina. A nós, meros mortais, resta-nos a esperança de que o amanhecer nos permita respirar de alívio e que o regresso à normalidade seja imediato, sem perdas significativas nem demasiados incidentes a relatar.

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