Município de Penacova alerta que EN110 está mais perigosa com o piso antiderrapante

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A Câmara de Penacova alertou ontem para uma intervenção da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM–RC) na Estrada Nacional 110 em que a aplicação alegadamente mal feita de piso antiderrapante deixou a estrada mais perigosa.

A intervenção naquela estrada nacional, da jurisdição da Infraestruturas de Portugal (IP), foi da responsabilidade da Comunidade Intermunicipal, no âmbito da Ecovia do Mondego, tendo sido aplicado um pavimento antiderrapante em curvas perigosas entre Penacova e Coimbra, como o DIÁRIO AS BEIRAS adiantou na passada segunda-feira.

No entanto, após a aplicação do piso alegadamente antiderrapante começaram a surgir relatos “de que o pavimento em causa apresentava pouca aderência” e registou-se um aumento de acidentes rodoviários naquela estrada, referiu a autarquia, em nota de imprensa enviada à agência Lusa.

Segundo a nota, a Câmara de Penacova exigiu medidas corretivas junto da CIM-RC e da IP, mas os primeiros testes realizados de coeficiente de resistência indicaram “que não existia uma perda significativa de atrito”.
Posteriormente, a IP realizou novos ensaios e concluiu que o pavimento, em alguns pontos, “não cumpria as normas de segurança em vigor”.

“Face a esta comunicação, a CIM-RC solicitou ao empreiteiro que implementasse de imediato sinalética de perigo de derrapagem e de redução da velocidade, o que foi realizado, e que apresentasse medidas para correção das condições do pavimento”, esclareceu a autarquia.

Falha já motivou seis acidentes
O vereador da Câmara de Penacova António Magalhães Cardoso disse que recebeu pelo menos “uns sete ou oito testemunhos” de pessoas que perderam o controlo do carro nas curvas intervencionadas e contabiliza “pelo menos seis acidentes”, até agora apenas com feridos ligeiros ou danos nos automóveis, desde janeiro.

“Aquilo teria duas características, por um lado, [o piso] ao ser vermelho seria uma espécie de aviso à navegação, e, por outro, aumentava a aderência, mas esse efeito físico não funciona, porque, segundo disse o fabricante, o piso terá sido mal aplicado”, aclarou António Magalhães Cardoso, salientando que as duas entidades responsáveis têm sido céleres nas respostas aos pedidos do município.

Para o vereador, o “pecado original” está na ideia de a Estrada Nacional 110 (EN110) acolher parte da Ecovia do Mondego, onde não tem via própria, num troço já por si estreito e com curvas.
“O atual executivo municipal não se revê na solução de partilha de uma ciclovia com uma estrada nacional, embora compreenda que, por razões financeiras, isso aconteça nalguns troços”, afirmou o município liderado por Álvaro Coimbra.

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