Município de Arganil quer aumentar significativamente taxa de reciclagem

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O presidente do Município de Arganil, no distrito de Coimbra, disse hoje pretender aumentar já este ano a taxa de reciclagem no concelho, que anda na ordem dos 10% dos resíduos produzidos.

“Muita coisa ainda vai para o caixote do lixo que objetivamente devia ir para a reciclagem”, salientou Luís Paulo Costa à agência Lusa, lembrando que as metas estipuladas pelo país para o setor preveem, até 2030, a reciclagem de 90% dos resíduos produzidos.

Segundo o autarca, a realidade do concelho de Arganil aponta para que apenas 10% dos resíduos sejam encaminhados para a reciclagem, enquanto 90% vão para aterro sanitário, pelo que “esta percentagem desejavelmente tem de se inverter”.

“Tenho muitas dúvidas de que a meta de 2030 seja alcançável, mas aquilo que não tenho dúvidas é que se não conseguirmos alterar os hábitos de uma forma muito significativa, todos nós vamos pagar muito mais por aquilo que tem a ver com o lixo”, enfatizou.

Luís Paulo Costa lembrou que a taxa de gestão de resíduos paga pelos municípios ao Fundo Ambiental duplicou de 11 para 22 euros, de 2021 para 2022, e deverá chegar aos 35 euros por tonelada em 2025.

Também os custos da recolha por cada tonelada de resíduos para tratamento aumentaram 50%, de 30 para 45 euros, o que, para o autarca, deve implicar uma mudança de prática dos consumidores.

“Ou nos mentalizamos que temos de alterar as nossas práticas no sentido de retirar coisas do lixo banal que podem ter uma segunda vida, ou então temos de assumir que vamos pagar muito mais por enviar lixo para aterro”, sublinhou.

O município de Arganil tem a funcionar um sistema de recolha de resíduos porta a porta, numa colaboração com a unidade local da Associação Portuguesa de Pais e Amigos Do Cidadão Deficiente Mental de Coimbra (APPCDM), que, em 2020 e 2021, recolheu para reciclagem 64 toneladas de plástico e metal, e 284 toneladas de papel e cartão, sem contar com o serviço de recolha convencional prestado pela Entidade de Resíduos Sólidos Urbanos do Centro (ERSUC).

O presidente da Câmara de Arganil disse que o projeto de recolha porta a porta ainda tem alguma margem de crescimento na zona mais central da vila, mas que “isso também depende da adesão dos munícipes e dos consumidores”.

“Ainda há uma margem para crescer nesta matéria e depois há algo que nós estamos a identificar como muito decisivo que são as soluções alternativas, como a compostagem”, referiu Luís Paulo Costa.

O autarca disse entender que a população vai ter de adotar novas práticas, sobretudo nas zonas mais rurais, que, na prática, não diferem de métodos ancestrais “que os antepassados utilizavam na vida agrícola”, cujo exemplo é a compostagem.

O município vai apostar na distribuição gratuita de compostores para os consumidores que aderiram à campanha destinada a quem “pretenda retirar do lixo banal tudo o que é orgânico e que pode facilmente ir para a compostagem e resultar num composto orgânico que pode ser utilizado” como fertilizante.

“Em zonas rurais, como é o caso da maioria do território do concelho, boa parte daquilo que produzimos como lixo pode perfeitamente ir para compostagem e resultar num composto orgânico que pode ser utilizado num jardim ou numa horta”, sustentou.

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