Utentes preocupados com fim anunciado da Estação Nova de Coimbra

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Trabalhadores e estudantes que diariamente chegam ao centro de Coimbra através da Estação Nova mostram-se muito preocupados com o fecho daquela ligação ferroviária, assinando de “bom grado” a petição que quer levar o assunto à Assembleia da República.

Por volta das 17H30, a Estação Nova (Coimbra-A), localizada na Baixa da cidade, volta a ganhar vida, com dezenas de pessoas que correm para os comboios no regresso às suas casas. De manhã, já tinham feito o percurso inverso.

Quando o Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) passar a funcionar, esta ligação ferroviária ao centro da cidade irá terminar, tendo os seus utilizadores de passar a fazer um transbordo em Coimbra-B para os ‘metrobus’.

Luís Neto, do Movimento Cívico pela Estação Nova (MCEN), que defende a manutenção da ligação entre Coimbra-B e Coimbra-A, vai abordando utentes para subscreverem a petição pública que lançaram e que já atingiu as 2.500 assinaturas necessárias para ser debatida em comissão da Assembleia da República, contando entregá-las na próxima semana.

Ainda há quem seja apanhado de surpresa com a notícia de que a estação vá fechar, como foi o caso de uma estudante da Universidade de Coimbra que usa aquela ligação todos os dias e que lança perguntas a Luís Neto: “Como é que vai acontecer? Quando é que vai encerrar?”.

Já Susana Fraga, que trabalha na Baixa e que usa a Estação Nova todos os dias para ir e vir da Figueira da Foz já sabia do seu fim e foi por isso que voltou atrás quando se apercebeu que a petição estava a ser distribuída.

“Preocupa-me bastante”, diz à agência Lusa a utente, com pressa.

“Isto não tem cabimento nenhum. É incomodativo e é uma perda para a cidade”, acrescenta Jéssica Ferraz, que irá também apanhar o comboio para a Figueira da Foz.

Um jovem que acabou o curso na Faculdade de Ciências e Tecnologia nota que, caso continuasse a estudar, teria de passar a fazer dois transbordos – um de ‘metrobus’ de Coimbra-B para o centro da cidade e outro para apanhar os autocarros dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) para o Polo II, uma vez que aquela zona não é servida pelo SMM.

Este é um dos vários problemas apontados pelo Movimento Cívico pela Estação Nova.

Luís Neto realça a importância da ligação entre as duas estações – mais de 1,3 milhões de passageiros anuais – e teme que o fim da ferrovia no centro da cidade crie “um afunilamento brutal em Coimbra-B”.

“O que está proposto é que todas as pessoas saiam em Coimbra-B para apanhar metrobus, para depois chegar ao centro onde pode ter de fazer novo transbordo”, salientou, apontando ainda para as capacidades distintas de um comboio (cerca de 550 passageiros) e de um metrobus (130 passageiros “em modo sardinha em lata”, realça).

Para Luís Neto, o que pode acontecer é, face ao “incómodo dos transbordos” e ao afunilamento em Coimbra-B, mais pessoas “passem a usar o automóvel para chegar ao centro da cidade”, tornando a ferrovia menos atrativa.

“Acabar com uma estação no centro é o contrário do que se quer numa cidade do século XXI”, frisou, apontando para outros problemas no caminho, nomeadamente uma das fases de requalificação de Coimbra-B acontecer já depois de estar a funcionar o SMM.

Questionado sobre o adiamento que o projeto sofreria com uma revisão do seu desenho neste momento, Luís Neto considera que “é possível fazer alterações ao projeto e ao seu calendário”, referindo que essa alteração não afetaria a execução da linha de Serpins (Lousã) do SMM.

Contactados pela agência Lusa, Câmara de Coimbra, Metro Mondego e o próprio Ministério das Infraestruturas consideraram a discussão em torno da Estação Nova extemporânea, defendendo o atual projeto.

A Metro Mondego frisa que a procura máxima calculada em Coimbra-B é de 850 passageiros por hora, enquanto a oferta prevista pelo SMM será “superior a 1.500 passageiros por hora”, salientando que há ainda a possibilidade de reforçar a oferta caso seja necessário.

“Percebemos que ninguém quer pôr uma pedra na engrenagem ou um pau na roda da bicicleta, como se valesse mais a carruagem seguir em frente, nem que seja contra uma parede”, afirmou Luís Neto.

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