Opinião: “Há mais vida para além da Capital da Cultura!..”

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É sabido que – e apesar de todos os méritos e esforços – não correu bem a Coimbra a candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027. Mas muito do trabalho feito deve ser aproveitado, executado e até complementado com outros projetos novos.
Os números aterradores da pandemia e, agora, os da guerra na Ucrânia têm deixado pouco tempo e atenção para outras coisas de relevo. O projeto “Nova Bauhaus Europeia”, ideia lançada pela Presidente da Comissão Europeia num discurso sobre “o Estado da União”, em 2020, que agora começa a ser concretizado, abre portas criativas e oportunidades financeiras muito interessantes para os países da UE.
Mas o que é a “Nova Bauhaus Europeia”? É um movimento criativo multidisciplinar com foco na discussão de práticas sustentáveis, assentes nas artes, na cultura e na ciência. É, acima de tudo, um projeto que visa a construção de um futuro sustentável (a neutralidade carbónica da UE) por via da imaginação e da inovação, passando da fase laboratorial para as cidades, por exemplo.
Sobretudo após a pandemia colocaram-se novos desafios às cidades e às comunidades. Onde voltamos a reunir? Como nos juntamos? Nas cidades ou fora delas? Em qualquer circunstância uma coisa é certa: a digitalização mostrou-se incontornável e a agenda verde também. Percebemos, todos nós, demasiado bem esta inevitabilidade. É certo que a crise energética agora provocada pela guerra veio baralhar as coisas… mas o desígnio não pode (nem deve) ser mudado.
Mas uma das dimensões mais relevantes deste projeto é o envolvimento crítico dos cidadãos – e nisto nós, portugueses, temos tanto a aprender – na busca ativa de soluções. A transição para lugares e estilos de vida nas cidades mais sustentáveis não se faz por decreto, mas antes com a cooperação ativa de todos. E todos significa ir além dos engenheiros, arquitetos e urbanista habituais. Agora é tempo de envolver os cidadãos e outras disciplinas artísticas e do saber. Dos que dominam a tecnologia aos que entendem de design. Parece arrojado? É, mas que de vale um futuro sem esperança e modernidade?!..
Coimbra (e as demais cidades portuguesas) têm aqui uma oportunidade. A ver quem não a desperdiça…

(Pode ler a opinião na edição impressa e digital)

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