Opinião: E o Aeroporto da Região Centro vai para… a periferia da Área Metropolitana de Lisboa

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Sejamos claros, as sub-regiões do Médio Tejo e do Oeste passaram para a Região Centro em 2013 por razões meramente táticas, o acesso aos fundos estruturais da UE estava vedado, por overbooking, à então designada Região de Lisboa e Vale do Tejo. Para poderem ter acesso a esses fundos era necessário que essas sub-regiões passassem para o Centro, o tal território que na capital costumam designar por “Interior”, claramente mais carente de infraestruturação.
Em segundo lugar é necessário referir que, na Região Centro, o core territorial não está infraestruturado do ponto de vista das acessibilidades, nem ferroviárias nem rodoviárias. É mais difícil dada a complexa orografia? Sim, mas sobretudo não está porque do ponto de vista político o poder central sempre privilegiou, em exclusivo, a ligação entre as duas áreas metropolitanas fora dos limites da região, em detrimento da ligação entre as diversas cidades que lhe dão sentido e massa demográfica ao designado Centro, ou seja, para se estabelecerem as ligações entre qualquer uma das cidades da Região Centro tem sido necessário ponderar primeiro, e em última instância, em que é que isso beneficia a ligação à capital ou à segunda metrópole. Sempre. Ao ponto de se poder perguntar, a Região Centro existe?
Discute-se agora a possibilidade da Região Centro poder ser dotada de uma infraestrutura aeroportuária. Coimbra e Leiria, as duas sub-regiões mais centrais, do ponto de vista geográfico, juntaram-se para debater com todas as opções em cima da mesa. Eis um gesto que, quer pela abertura ao diálogo, quer pela ausência de posições apriorísticas, será sempre de louvar.
Contava-se com a sempiterna possibilidade da abertura da Base Aérea nº. 5, em Leiria, ou com a novel hipótese de situá-lo algures entre as duas cidades, em Soure para poder incluir o interface ferroviário. Qual não é o meu espanto, porém, quando se abre a possibilidade de ser em Tancos, na sub-região do Médio Tejo, podendo passar a ser o terceiro aeroporto da capital, equidistante do Montijo e da Portela. E pronto! Está resolvido o problema do Aeroporto da Região Centro. Fica na periferia da capital. Serve muitíssimo bem as sub-regiões do Oeste e do Médio Tejo. Serve razoavelmente a sub-região da Beira Baixa, entrando pelo sul, e a de Leiria.
Vejamos o que tem de fazer um habitante da sub-região de Viseu Dão Lafões, por exemplo. Sai do “seu” aeroporto, entra na A13 até ao seu fim abrupto algures no cabeço de um monte, aí inicia a “descida aos Infernos” até Ceira para entrar em Coimbra, sobe depois a Souselas e apanha o “futuro” IP3, em via dupla até ao primeiro nó de Penacova, segue entalado entre vários veículos pesados até Santa Comba, em situação de perigo eminente, para depois entrar numa via um bocadinho mais decente até Viseu. Ou, em alternativa, segue pela A23 até Castelo Branco, sobe ao Fundão, passa pela Covilhã e vai até à Guarda onde apanha a A25 até Viseu, a volta ao bilhar grande. E então, apetecer-lhe-á perguntar: — se a Região Centro não existe, porque é que o segundo aeroporto da Região Norte não vem para Vale de Cambra, na Área Metropolitana do Porto? Sempre era melhor.
Ou seja, com a “solução” de Tancos, as sub-regiões de Aveiro, Beiras e Serra da Estrela, Coimbra e Viseu Dão -Lafões, 1 268 053 habitantes, que correspondem a 57% da população total da região, não ficarão convenientemente servidos. Assim não, a Região Centro não existe mesmo.
Esperemos que a CIM Região de Coimbra, a sub-região mais populosa do Centro, e a quarta mais populosa do território nacional, tenha isso em consideração e saiba lutar por uma verdadeira solução, territorialmente mais equilibrada.

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