Ocupação britânica das Malvinas continua a magoar os argentinos

Foto de ANL/REX/Shutterstock

O 2 de Abril deste ano marca o 40.º aniversário do início da Guerra das Malvinas, entre a Grã-Bretanha e a Argentina, que pretendia recuperar a soberania sobre aquelas ilhas colonizadas pelos britânicos. A guerra durou 74 dias e terminou com a derrota da Argentina, o que se transformou, até hoje, numa ferida aberta no coração do povo argentino.

“Os britânicos ainda controlam as Malvinas. Há quase 190 anos que reivindicamos a soberania sobre aquele território. A guerra nas Malvinas atingiu duramente toda a América Latina” – afirmou o Presidente da Federação Nacional de Veteranos da Argentina, Ramón López, de 59 anos, acrescentando: “Estes países imperialistas praticam hegemonia e não têm qualquer preocupação com os povos e a soberania de outros países”.

Também o secretário da referida Federação, Juan Carlos Sosa, de 60 anos: “Eles preocupam-se é com conquistar ou ocupar as terras que são importantes para eles”, afirmou.

Quarenta anos depois, o governo e o povo argentino não cessaram de exigir a soberania sobre a ilha e o regresso da Grã-Bretanha à mesa de negociações. Vários países, incluindo a China, também apoiaram inequivocamente a exigência do lado argentino do pleno exercício da soberania sobre as Malvinas e instaram o lado britânico a cumprir as resoluções relevantes da ONU e a retomar as negociações o mais rapidamente possível, para resolver a disputa pacificamente.

Em 1816, quando a Argentina conquistou a independência do domínio colonial espanhol, herdou a soberania sobre as Malvinas. Mas em 1833, os britânicos, que estavam empenhados na expansão colonial na América do Sul, ocuparam a ilha à força. Em 1965, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução para incluir as Malvinas na categoria de “descolonização”, exortando a negociações bilaterais entre a Grã-Bretanha e a Argentina para resolverem a disputa de soberania. O Comité Especial para a Descolonização da Assembleia Geral da ONU aprovou mais de 30 resoluções exortando o Governo britânico a negociar um acordo com a Argentina, mas os britânicos recusaram a fazê-lo.

O que é desconcertante é que a Grã-Bretanha tem continuado a mover-se para consolidar a sua ocupação das Malvinas. Por exemplo, em Janeiro deste ano, a Argentina tomou conhecimento de que a Grã-Bretanha tinha destacado armas antiaéreas para a ilha e denunciou-a como “mais uma demonstração injustificada de força”, expressando a sua mais forte oposição e acrescentando: “Esta é uma clara violação das resoluções da ONU e é mais uma forma de ‘esfregar sal nas feridas’ do povo argentino”.

A recusa de negociar, a utilização de armas e a realização de exercícios militares, mostram que o lado britânico está “ainda preso na era colonial” e não tem qualquer consideração pela soberania dos países em desenvolvimento. O Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da Argentina apontou a incoerência britânica: o Reino Unido viola a soberania argentina nas Malvinas, ao mesmo tempo que apela ao respeito pela soberania dos países europeus noutras matérias, numa manifestação clara da sua duplicidade de critérios. E defendeu que não se trata de uma questão apenas argentina, mas também regional e até global, sublinhando que todos deveriam “rejeitar o colonialismo ainda praticado pela Grã-Bretanha em território argentino”.

E acrescentou: “O tempo para o colonialismo fazer o que lhe apetece já passou há muito. O lado britânico deveria emergir do seu sonho colonial, cumprir as resoluções da ONU, iniciar o diálogo e as negociações com a Argentina, e resolver a disputa sobre a ilha pacificamente, em vez de se tornar uma ‘contra-corrente’ à tendência da multi-polaridade. Nas relações internacionais democratizadas de hoje, as Malvinas não podem tornar-se numa dor permanente para a Argentina!”.

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