Ucrânia: Número de refugiados ultrapassa os dois milhões

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ACNUR/Chris Melzer

O número de pessoas que fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, ultrapassou hoje os dois milhões, anunciou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Até hoje de manhã, tinham fugido da Ucrânia 2.011.312 pessoas, de acordo com dados divulgados do ACNUR, citados pela agência francesa AFP.

A Polónia recebeu 1.204.403 de pessoas, o que corresponde a mais de metade.

Além da Polónia, também Roménia, Hungria e Moldova concentram muitos dos refugiados, enquanto 103.000 viajaram para outros países na Europa, segundo a agência especializada das Nações Unidas, com sede na cidade suíça de Genebra.

“Hoje, o fluxo de refugiados da Ucrânia atinge dois milhões. Dois milhões”, escreveu o chefe do ACNUR, Filippo Grandi, na rede social Twitter.

Numa conferência de imprensa em Oslo após uma visita à Roménia, Moldova e Polónia, Grandi elogiou a receção exemplar oferecida pelos três países aos refugiados da Ucrânia.

Segundo os números de hoje do ACNUR, a Roménia e a Moldova acolheram mais de 82.000 refugiados cada.

Grandi disse que estes países têm conseguido lidar com o fluxo de chegadas por se tratar de refugiados com “alguns recursos”.

“Muitos chegam de carro e, acima de tudo, têm ligações, podem ir até onde têm família, amigos, uma comunidade”, disse o diplomata italiano, que lidera o ACNUR desde 2016.

“É possível que, se a guerra continuar (…), comecemos a ver pessoas sem recursos ou ligações, e será um problema mais difícil para os países europeus. Haverá necessidade de mais solidariedade por parte de todos na Europa e fora dela”, disse.

Grandi lembrou que as guerras dos Balcãs na Bósnia e Kosovo, na década de 1990, também causaram grandes fluxos de refugiados, “talvez dois ou três milhões, mas ao longo de um período de oito anos”.

“Isto [fuga da Ucrânia] é oito dias”, disse Grandi, aludindo à fuga de mais de um milhão de pessoas numa semana.

“Outras partes do mundo viram isto, mas na Europa é a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial”, acrescentou.

Após várias tentativas falhadas, a Rússia prometeu abrir hoje corredores humanitários para permitir que milhares de civis fugissem das principais cidades da Ucrânia, que estão sob fogo de artilharia russa há quase duas semanas.

De acordo com a ONU, quatro milhões de pessoas podem querer deixar o país para escapar à guerra.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 fevereiro, mas desconhece-se ainda o número de mortos e feridos após 13 dias de combates no país de 44 milhões de habitantes.

A invasão foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas contra Moscovo.

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